Naquela manhã cinzenta, Jungkook atravessou as portas do hospital com o coração acelerado. O corredor parecia mais longo do que de costume, cada passo ecoando fundo demais. As palavras que ouvira ao telefone ainda rodavam em sua cabeça — sem forma, sem lógica, apenas medo.
Quando chegou à porta do quarto, ele parou. Por um segundo, o mundo pareceu segurar o próprio fôlego.
Lá dentro, Hanna estava deitada, fraca demais para parecer ela mesma. A pele pálida, o corpo tenso, como se tivesse lutado contra algo maior do que deveria. Nada ali precisava ser explicado em detalhes: o silêncio dizia tudo.
Jungkook engoliu seco.
— O que aconteceu com ela? — sua voz saiu baixa, mas firme, carregada de um medo que ele se esforçava para controlar.
O médico hesitou antes de responder:
— Ela foi… forçada a uma marcação durante a noite. — As palavras saíram cautelosas, escolhidas a dedo. — A marca não foi aceita pelo corpo dela. E isso a deixou muito debilitada.
Jungkook apertou os punhos, desviando o olhar para o chão por um momento.
— A rejeição está prejudicando todo o sistema dela — continuou o médico, em tom grave. — Se a marca não for substituída logo… o corpo dela pode não resistir.
O coração de Jungkook parou por um instante.
Substituir uma marca significava assumir um laço definitivo. Um vínculo sem volta.
Mas assim que olhou para Hanna, tão pequena e vulnerável naquela cama, a decisão já estava tomada.
— Eu faço. — A voz dele saiu antes mesmo que o médico terminasse de explicar.
— Jungkook… isso muda tudo. Você sabe o que está assumindo.
— Sei. — Ele respirou fundo. — E não vou deixá-la sozinha.
Depois de assinar os documentos e entrar no quarto, Jungkook aproximou-se com cuidado. Pegou a mão dela, quente e trêmula, e se ajoelhou ao lado da cama.
— Eu estou aqui, Hanna… — murmurou. — Você vai ficar bem. Eu prometo.
Mesmo inconsciente, ela pareceu reagir à voz dele — um pequeno suspiro escapou, como se o reconhecesse.
Com todo o cuidado, ele realizou o procedimento que selaria o novo vínculo. Um brilho suave preencheu o ar, e aos poucos o corpo dela relaxou, como se finalmente pudesse descansar. Jungkook sentiu o próprio peito apertar quando o laço se formou entre eles — firme, profundo, irrevogável.
A partir daquele momento, estavam conectados.
Algumas semanas depois, Hanna recebeu alta. Estava mais forte, embora ainda carregasse marcas invisíveis que levariam tempo para cicatrizar.
Infelizmente, seus pais não quiseram recebê-la de volta. Diziam que uma ômega vinculada já não tinha lugar na casa deles. Palavras frias que a acompanharam até a saída do hospital.
Foi assim que ela acabou parada ao lado da caminhonete velha de Jungkook, com as malas arrumadas na caçamba.
Ele dirigia em silêncio, tentando parecer calmo, embora a tensão nas mãos revelasse o contrário.
— Eu… ahm… deixei um quarto arrumado pra você. — Sua voz era baixa, quase tímida. — Acho que você vai gostar.
Hanna olhou para ele, os olhos suaves, agradecidos. E, mesmo sem palavras, Jungkook soube: ele tinha feito a escolha certa.