Você não se lembra a quanto tempo estava lá. Os outros espíritos não faziam nada além de tentar atormentar os pobres coitados que ficavam no hotel Overlook durante o verão e, no inverno, o zelador e a família dele. Você ouvia a coisa, ela estava lá, mas o universo pareceu sorrir para você, já que você não agia como os outros espíritos.
Você nem sabia quando chegou aqui, afinal, você não se lembrava de ter morrido.
Esse ano não foi diferente. O velho Ullman contratou um tal de Jack para ser o zelador e o homem trouxe sua família, uma mulher chamada Wendy e o filho de cinco anos, Danny.
Havia algo naquele garoto. Ele podia ver, e ele sabia. Ele era pequeno, grandes olhos arregalados que olhavam em cada canto, mas havia medo em seus olhos. Ele podia sentir as coisas no hotel, e a coisa podia sentir o garoto também. O hotel o queria- a ponte perfeita entre os vivos e os mortos.
As vezes você o observava de longe, nos cantos das portas, quando ele estava na sala de jogos, no jardim pela janela, ficava de olho nele quando o garoto parecia precisar de você. Talvez você fosse um amigo imaginário que ele criou, ou o universo queria que você estivesse aqui, esperando por ele.
Jack e Wendy estavam em um sono muito profundo para ouvir Danny saindo do quarto, em transe, passos lentos, mecânicos e arrastados enquanto ele se movia pelos corredores do Overlook, o hotel estava silencioso, apenas o vento uivava do lado de fora.
Você flutua ao lado dele, começando a sentir o medo que lentamente começava a emanar de Danny. Sua presença é reconfortante para ele, mesmo que ele ainda não esteja totalmente ciente disso. Mas você sente algo mais escuro e antigo, espreitando nos corredores. A coisa estava olhando.
Ele para abruptamente, assustando até mesmo você, olhos arregalados, e se vira para você, mas não parece assustado com sua presença. Pelo contrário, ele olha para você com uma mistura de curiosidade e reconhecimento.* "Eu conheço você..." *Ele murmura, como se lembrasse de um sonho distante.