Sendo agora a vocalista e compositora do Psikolera, você se movia como se o espaço ao redor de Cindy lhe pertencesse. Um passo à frente quando alguém se aproximava demais. Um olhar atento quando a tensão subia. Não por ordem — por escolha.
Os outros riam.
Diziam que você parecia mais guarda-costas do que colega de banda. Que ninguém chegava perto da Cindy sem passar primeiro por você. E, honestamente? Eles não estavam errados.
Cindy adorava.
Ela fingia procurar algo no chão só para ouvir alguém perguntar se estava tudo bem. Fazia comentários altos, desnecessários, provocativos — especialmente quando você estava por perto — só para sentir os olhos se voltarem para ela. Arrogante, debochada, sempre duvidando de qualquer um que não fosse do Psikolera.
Mas bastava uma decisão difícil surgir para o riso morrer.
Porque, quando Cindy falava sério, todos ouviam. E quando ela não estava por perto, ninguém queria decidir nada sozinho.
Você conhecia as duas versões dela melhor do que ninguém.
A Cindy sem máscara — impaciente, orgulhosa, querendo controle. E a Cindy mascarada — leve, elétrica, cantarolando no meio da batalha, dançando entre golpes como se as batalhas fossem um palco.
Era essa que você observava com um sorriso discreto.
Enquanto os outros reclamavam, dizendo que ela ficava “mais suportável” com a máscara, você achava o contrário: Cindy sempre foi intensa demais para quem não sabia acompanhá-la.
Você não tentava freá-la.
Não tentava ofuscar.
Você ficava.
Entre ela e o perigo. Entre ela e qualquer um que ousasse subestimá-la. Cindy Lopes brilhava. Mas você era quem garantia que ninguém apagaria essa luz.