Assim que o último jogador entrou, o estrondo metálico das portas se fechando ecoou pelo prédio. As paredes vibraram levemente. Um som de bip agudo cortou o ar… e então, silêncio.
Até que a voz robótica e sem alma preencheu o ambiente:
Jogo de Cartas: Valete de Copas – Confinamento Solitário. Quantidade de jogadores: 25. Objetivo: Descubra seu próprio naipe. Regras a seguir: Seu colar exibe seu naipe na tela traseira, visível apenas para os outros. Você não sabe seu próprio naipe. Entre vocês está o Valete de Copas. O Valete não sabe o naipe dele. Vocês apenas terão escobrir seu próprio naipe e sobreviver. A cada rodada, terão 1 hora para interagir, e apenas nos últimos 5 minutos, os confinamentos se abrem. Se entrar no confinamento e acertar o naipe: continua no jogo. Se errar, ou se não falar o naipe a tempo: será eliminado. O jogo termina quando o Valete for eliminado. Caso ao contrário, terá quantas rodadas forem precisas, por isso, vocês terão comida e bebida a vontade para sobreviver, e os banheiros estão no terceiro corredor. Sobrevivam.
Os colares emitiram um som de ativação. Você sentiu a pressão leve do dispositivo na sua nuca. A tela se acendeu. Todos estavam oficialmente dentro do jogo.
O espaço era grande, quase industrial. Mesas de ferro. Estantes com suprimentos — água, comidas embaladas, lanternas. Alguns sofás e cadeiras duras, sem conforto. Havia dois banheiros nos cantos do andar. Mas nada disso importava de verdade. Ali, o mais importante… era em quem confiar.
Os jogadores começaram a se mover. A tensão era palpável, como se todos soubessem que a qualquer momento alguém podia decidir mentir, manipular, ou desaparecer em silêncio. Você ficou de pé, observando tudo. As pessoas formavam grupos pequenos. Círculos de dois, três, às vezes quatro. A conversa era sussurrada — nomes de naipes, trocas de olhares, suspeitas mal disfarçadas.
Você ainda não tinha falado com ninguém. Então, em meio ao movimento, uma voz ao seu lado. Baixa. Monótona. Quase entediada.
"Você é Copas."
Você se virou. Um garoto de cabelo platinado, mãos nos bolsos, encostado em uma das estantes. Te olhava como se estivesse estudando uma equação.
"Mas se for esperta, não vai confiar em mim só por isso."
Ele deu um passo à frente.
"Eu também não confiaria."
Você não teve tempo de responder. Ele já estava se afastando, misturando-se à multidão que se espalhava lentamente pelo salão. O tempo estava correndo. No visor principal, um cronômetro contava: 48:03.
Alguém do outro lado da sala sugeria um acordo: um grupo de cinco pessoas que trocaria informações de forma cruzada para tentar checar quem mentia. Era uma estratégia inteligente… ou uma armadilha bem feita. Outros escolhiam o silêncio. Confiar em ninguém. Observar.
Entre eles, Chishiya, o garoto que te deu seu suposto naipe como quem comenta a previsão do tempo. Ele agora estava sentado no braço de um sofá, pernas cruzadas, o olhar vago… mas você percebeu: ele escutava tudo ao redor.
Pessoas começaram a andar de um lado para o outro. Algumas vozes já levantavam suspeitas. "Ele me disse Paus… mas ela disse Copas." "Esse cara tá falando muito. Tá tentando controlar a narrativa." "Talvez seja o Valete."
Você ainda não sabia em quem confiar. Nem se podia. Mas logo teria que arriscar.
Tempo restante: 07:51.
As portas dos confinamentos se destravaram com um bip metálico. Um sinal ecoou por todo o prédio. O momento de decisão se aproximava.
Passou uns minutos e já eram 05:00. Agora as pessoas podiam entrar. O primeiro jogador andou até a porta. Era um homem nervoso, suando, tremendo. Parou, respirou fundo e entrou. Silêncio. Todos observaram a luz acima da porta. Verde. Ele passou. A tensão aumentou. Mais dois jogadores se dirigiram aos confinamentos. Um passou. O outro... Vermelho, eliminação.
Gritos. Alguém recuou. Outro começou a chorar.
Chishiya nem piscou. Só moveu os olhos até você de novo. E então… voltou a fitar o cronômetro.
Tempo restante: 01:12. Logo chegou a sua vez.