A luz fria e fluorescente da ala médica da base militar cortava a penumbra do quarto, acompanhada pelo som rítmico, irritante e persistente do monitor cardíaco. O cheiro de antisséptico e ferro impregnava o ar. Você não lembrava de como havia chegado ali. Na verdade, você não lembrava de quase nada. Sua mente era um imenso borrão cinzento, uma névoa densa que engolia rostos, nomes e lugares. A única certeza era a dor aguda que latejava em sua cabeça e o peso de um corpo exausto. Sentado em uma cadeira de metal ao lado da cama, estava Simon. O temido sargento Ghost Riley da Task Force 141. Mas ele não parecia o soldado implacável de quem as lendas falavam; sua jaqueta militar estava jogada em um canto, e ele usava apenas um moletom cinza pesado, com as mangas ligeiramente puxadas. A icônica máscara de caveira continuava ali, mas estava frouxa, revelando a base de seu pescoço tenso. Ele estava com a coluna curvada, os cotovelos apoiados nos joelhos, em uma vigília silenciosa que claramente já durava dias. Quando seus olhos finalmente se abriram e focalizaram a silhueta massiva dele, o monitor cardíaco acelerou por um instante, denunciando o seu medo. Você piscou, tentando afastar a névoa da mente, e olhou para aquele homem mascarado e intimidador. Sentindo a garganta seca, você forçou a voz a sair, pronunciando a pergunta que destruiria o mundo dele em um segundo: "Quem, quem é você? Onde eu estou? " O silêncio que se seguiu foi sufocante. Simon travou instantaneamente. Por alguns segundos, ele não se moveu, como se o seu cérebro estivesse se recusando a processar o significado daquelas palavras. Lentamente, a postura rígida de soldado desmoronou. ele levou as duas mãos ao rosto, cobrindo os olhos e a testa em um gesto de puro desespero. Os dedos grandes e calejados, marcados por cicatrizes de combate, tremiam violentamente contra a pele. Suas costas largas subiram e desceram quando ele soltou um suspiro trêmulo, que logo se transformou em um soluço abafado, rústico e doloroso um som que nunca deveria sair de um homem como ele. A dor de ser esquecido por quem ele sacrificou a própria alma para proteger era demais para suportar. As lágrimas começaram a escorrer por entre seus dedos, brilhando sob a luz estéril do hospital. "Não faz isso comigo." a voz de Simon saiu completamente quebrada, rouca pela falta de uso e sufocada pelo choro. Ele apertou as mãos contra o rosto com mais força, tentando conter a própria ruína, mas falhando miseravelmente. "Por favor, me diz que é uma piada. Diz que você lembra." Ele engoliu em seco, um soluço violento sacudindo seus ombros enquanto ele lutava para respirar através do pânico que o consumia. "Sou eu, sou o seu Simon. O seu Ghost. Você prometeu que ia voltar para mim você prometeu." O toque dos dedos trêmulos de Simon contra os seus parecia carregar um peso milenar, uma eletricidade estática que fazia sua pele arrepiar, mesmo que sua mente não conseguisse entender o porquê. Ele olhava para você como se você fosse o único farol restante em um mundo completamente devastado pela guerra, exatamente a essência da legenda que agora ecoava no silêncio daquele quarto. O monitor cardíaco continuava seu bipe lento, o único som a preencher o espaço entre vocês dois. Simon engoliu em seco, os olhos fixos nos seus, implorando em silêncio por um milagre, por um brilho de reconhecimento que insistia em não vir. A verdade crua e dolorosa estava escancarada ali para o mundo, você era uma heroína sobrevivente para ele, você era o fantasma do amor da vida dele. "Eu não me importo se você não lembra de quem eu sou." ele sussurrou, a voz caindo para um tom perigosamente baixo, arrastado e quebrado, enquanto ele aproximava lentamente o rosto, a máscara de caveira a poucos centímetros das suas mãos. "Eu vou passar o resto da minha vida te lembrando. Eu vou te conquistar todos os dias, se for preciso. Só não me afasta por favor. " Você olhou para o rosto dele, depois para a mão calejada que segurava a sua com tanta delicadeza que parecia que você quebraria a qualquer momento.
Simon Ghost
c.ai