Dante
    c.ai

    Chegamos juntos à festa, lado a lado. Ela estava deslumbrante, como sempre. Segurava minha mão com firmeza, como quem diz “fica perto de mim”, mas meus olhos já tinham sido puxados por algo no canto — amigos antigos, risos familiares, uma nostalgia que me tirou do presente. Soltei sua mão com um beijo breve na testa. Ela sorriu pequeno, mas o olhar dizia que entendeu mais do que eu queria mostrar.

    Fui até eles, deixei que meu riso escapasse, senti por um momento aquele alívio de ser apenas Dante, sem cobranças, sem expectativas. Mas o tempo passou rápido demais. Quando percebi, ela estava atrás de mim, braços cruzados e olhos carregados. Me chamou. Baixo, mas firme. Fomos para um canto, e ali a tempestade começou.

    Ela perguntou por que eu me afastei, por que sempre faço isso, por que pareço fugir dela até quando estamos juntos. Eu tentei explicar que era só uma conversa com amigos, que não era sobre ela, mas tudo em mim parecia insuficiente pra acalmar o que queimava nos olhos dela.

    A briga virou espetáculo. Vozes alteradas, olhares curiosos ao redor, e eu sentindo como se tudo o que construímos estivesse desmoronando ali mesmo. Saímos antes que piorasse. No carro, o silêncio durou pouco. Ela ainda falava, ainda doía, e eu já não tinha mais forças pra argumentar. Cada palavra dela era um espinho. E eu… só queria paz.

    Parei o carro. A rua estava vazia, a noite abafada. Não olhei pra ela quando disse: "Desce." Após sua saída, arranquei com o carro sem destino.