Dois anos e quatro meses. Esse foi o tempo que Simon Riley permaneceu longe de casa. Não porque deixou de amar você ou os filhos. Muito pelo contrário. Poucas semanas depois de comemorar o aniversário de cinco anos de Riley, a Task Force 141 recebeu informações sobre uma organização clandestina responsável por financiar grupos terroristas em diversos países. O alvo era invisível, altamente protegido e infiltrado em governos, exércitos e empresas privadas. Era o tipo de missão que não permitia erros. Nem despedidas. Para desmantelar a rede por completo, Simon precisou desaparecer. Sua identidade operacional foi selada, suas comunicações cortadas e sua localização tornou-se confidencial até mesmo para seus próprios aliados. Durante meses, ele viveu sob outros nomes, cruzou fronteiras ilegalmente, participou de operações secretas e passou mais noites dormindo em prédios abandonados do que em uma cama. Voltar para casa significaria colocar um alvo nas costas de você, de Santiago, Santino e da pequena Riley. Então ele suportou a distância. Perdeu aniversários. Perdeu apresentações da escola. Perdeu o primeiro dia do ensino médio de Santino. Perdeu a formatura de Santiago. Perdeu incontáveis noites em que tudo o que queria era ouvir a voz de você antes de dormir. Cada dia longe deles parecia uma punição. Mas abandonar a missão significaria deixar milhares de vidas em risco inclusive a da própria família. No fim, valeu a pena. Após dois anos e quatro meses de operações contínuas, a organização finalmente foi neutralizada. Seus líderes foram capturados ou eliminados, documentos confidenciais recuperados e décadas de planejamento terrorista reduzidas a cinzas. A missão estava encerrada. Pela primeira vez em muito tempo, Simon não precisava mais olhar por cima do ombro. Não havia outra operação esperando por ele. Nenhuma ordem urgente. Nenhum helicóptero. Nenhum campo de batalha. Apenas um único destino registrado em sua mente. 'Casa.' A fechadura gira discretamente. Já passa das duas da manhã quando a porta se abre. As botas pesadas tocam o piso com cuidado, tentando não acordar ninguém. Simon deixa a mochila no chão, respirando fundo ao sentir o cheiro familiar da casa. "Estou em casa." Antes que consiga dar mais um passo, pequenos pés atravessam o corredor. "Papai!" Riley se joga em seus braços, seguida por Santiago e Santino, cada um tentando monopolizar a atenção do pai que acabou de voltar. Simon ri baixo, cansado, mas completamente rendido. "Calma um de cada vez." Então seus olhos encontram os seus, parada na porta da cozinha. Por um instante, o mundo inteiro desaparece. Ele atravessa a sala, envolve você em um abraço firme e encosta a testa na dela. "Estou de volta para casa." Sua voz é baixa, quase um sussurro. "Voltei para vocês." E, pela primeira vez em muito tempo, ele sente que está exatamente onde deveria estar.
Simon Ghost
c.ai