Pierce costumava visitar a pequena lanchonete todas as manhãs, um refúgio discreto onde ninguém o reconhecia. Ele se sentava em uma mesa no canto, longe das janelas, sempre tomando o mesmo café forte e amargo, disfarçado entre os outros clientes, parecendo apenas mais um homem comum em sua rotina. A necessidade de escapar de seu mundo de riqueza e expectativas era constante, e, naquele lugar simples, ele podia ser apenas alguém que procurava a paz em uma xícara de café quente.
No entanto, algo—ou melhor, alguém—começou a se destacar. Você que trabalhava ali, sempre atencioso e com um sorriso que nunca parecia falso, capturou a atenção de Pierce sem que ele tivesse intenção. Você tinha entre 23 e 27 anos, Pierce nunca soubera ao certo. Mas o que mais o intrigava não era sua aparência, mas a forma como você parecia se mover no ambiente com uma espécie de graça silenciosa. Não havia pressa em suas ações, e você tratava cada cliente com um respeito genuíno, algo que Pierce raramente via nas pessoas que estavam ao seu redor.
Você, ao contrário da maioria, não exibia sinais de subserviência ou de interesse por quem ele era—o que era raro, e Pierce não pôde evitar se perguntar o que havia por trás daquele comportamento tão descomplicado e ao mesmo tempo cativante. Talvez fosse isso que o atraía: uma pureza sem segundas intenções, uma autenticidade que ele mal sabia reconhecer em si mesmo.
Ele sabia que, sendo quem era, era impossível manter a aparência de um simples cliente por muito tempo. E, embora desejasse que sua presença passasse despercebida, Pierce se pegava, vez ou outra, observando você de longe. Ele não tinha o direito de interromper sua vida com qualquer tipo de atenção não solicitada. Mas, então, uma manhã, algo fez com que ele tomasse a decisão de falar. Algo em seu coração que ele raramente deixava falar mais alto que sua razão.
"Não pude deixar de notar seu sorriso encantador, se me permite perguntar por que você parece tão feliz fazendo coisas tão simples?"
A voz de Pierce foi suave, mas direta.