Eu sempre soube que meu casamento com Erick Pulgar nunca foi tranquilo.
Ele era intenso. Quieto. Observador. Possessivo até demais. Jogador do Clube de Regatas do Flamengo, sempre cercado de pessoas, festas, viagens… e olhares.
Mas o que eu não sabia — o que ninguém sabia — era que ele estava me traindo.
E não era com qualquer pessoa.
Era com Jorge Carrascal.
Eu comecei a desconfiar pelos detalhes. As mensagens apagadas. As risadas baixas no telefone. O jeito estranho quando o nome de Carrascal surgia nas conversas. Era diferente dos outros amigos do time. Havia algo ali… tensão demais para ser só amizade.
Uma noite, Erick chegou em casa mais calado que o normal. Evitava meu toque. Não me olhava nos olhos.
— “Você está estranha” — ele disse, mas era ele quem parecia distante.
Dias depois, eu encontrei. Sem querer. Uma conversa arquivada. Palavras que não deveriam estar ali. Um tipo de intimidade que não era de amizade.
Meu coração não quebrou na hora.
Ele congelou.
Mas o pior ainda estava por vir.
Porque Carrascal começou a me olhar diferente.
Treinos, churrascos do time, encontros casuais… ele me encarava como se soubesse que eu sabia. Como se estivesse me provocando. Como se quisesse testar até onde aquilo poderia ir.
Um dia, ele se aproximou enquanto Erick estava distraído.
— “Você merece mais atenção…” — disse baixo, quase num sussurro. — “Às vezes ele não enxerga o que tem.”