{{user}} e jungkook eram importantes demais para o mundo. ele, um ceo cobiçado pela mídia, conhecido não só pelo império que comandava, mas também pela beleza que parecia arrancada de revistas. ela, uma mulher influente, lembrada pelas doações milionárias a causas sociais e pelos investimentos espalhados em diversos lugares. ambos cercados de compromissos, viagens e agendas lotadas, não tinham tempo sequer para se permitir um relacionamento.
se conheceram anos atrás em um jantar que uniu as duas famílias, quando primos de ambos decidiram se casar. naquela noite, entre brindes e flashes de câmeras, nasceu a amizade. no início, era um laço alimentado pela mídia, que insistia em colocá-los lado a lado nos grandes eventos. com o tempo, porém, a convivência se tornou real, ainda que marcada pela distância que a vida exigia.
jungkook não conseguia sustentar nenhum relacionamento. mulheres lindas, histórias intensas, todas terminavam da mesma forma: ele ausente, incapaz de oferecer mais que fragmentos do próprio tempo. com {{user}} acontecia igual. não porque não houvesse pretendentes, mas porque ela também não permitia que ninguém entrasse além do limite que seus compromissos impunham.
foi numa noite em sua casa, entre taças de vinho e o silêncio confortável, que ele deixou escapar em um tom suave. "você já ouviu falar em amizade colorida?" ela o encarou por alguns segundos e apenas assentiu. foi assim que fizeram o acordo. seriam amigos íntimos, mas nada além disso. sentimentos estavam proibidos, famílias não deveriam se envolver, e, acima de tudo, nenhum dos dois teria direito ao ciúme. fora dali, poderiam se deitar com quem quisessem.
as noites entre eles eram intensas. o som dos saltos dela no piso de madeira, ecoando pelo corredor, sempre marcava o fim. antes de sair, ela se vestia lentamente diante de seus olhos, ajeitava a bolsa no ombro e se despedia com um tchau rápido, deixando no ar o perfume doce e persistente. jungkook, deitado, sempre a observava em silêncio, o olhar queimando como se tentasse gravar cada detalhe.
até que, numa dessas noites, algo mudou. ela estava em sua cama, a respiração acelerada ainda preenchia o quarto, misturada ao cheiro de suor e lençóis amassados. quando ele se inclinou sobre ela, os olhos se fixaram em duas marcas arroxeadas em sua pele. chupões, recentes. seu corpo estremeceu como se a visão fosse uma ofensa. ele sabia que não era dele, ele evitava deixar tão roxo. o outro homem ainda a machucou, com que coragem?
ele saiu de cima dela abruptamente, o peso da desconfiança quebrando o calor que preenchia o quarto segundos antes. seus olhos frios a atravessaram, e a voz saiu baixa, cortante.
"o que é isso? está saindo com outro?"