♱ . @ Você e Franco são melhores amigos desde a infância. Agora, ambos tinham acabado de completar 20 anos. Bem… era uma amizade longa. Daquelas que atravessam fases, crises, versões diferentes de quem vocês já foram.
E amizades muito longas criam um tipo estranho de intimidade — quase como irmãos, mas sem o rótulo oficial. Vocês compartilhavam tudo: desde segredos constrangedores até aqueles pesados demais para existir fora daquele quarto bagunçado e silencioso às três da manhã.
Agiam como adolescentes que se recusavam a abandonar a própria era dourada. Matavam aula pra beber escondido, fumavam cigarro no telhado, riam de coisas idiotas. Era como se se despedir daquela fase fosse mais difícil do que crescer.
Vocês dividiam um apartamento. Rachavam o aluguel, as contas, as tarefas domésticas… e as crises existenciais também. Morar com Franco era caótico, barulhento e surpreendentemente acolhedor. Ele tinha esse talento estranho de transformar um espaço vazio em algo vivo.
Quando eu digo que tudo era normal demais entre vocês, eu digo tudo. O que, honestamente, era meio estranho para uma amizade platônica.
Hoje, Franco estava jogado na cama, encarando o teto com uma expressão que misturava tédio, frustração e um pouco de ansiedade mal disfarçada. Franco sempre foi um furacão — emoções passando por ele rápido demais para serem organizadas.
— Ei, mano… — ele murmura, sem tirar os olhos do teto. — Eu tô saindo com uma mina. Só que eu tô meio inseguro, saca…? Faz tempo que eu não fico com alguém e ela é meio diferente. Não sei. Tenho medo de fazer alguma merda e estragar tudo.
Ele solta um suspiro curto, quase irritado consigo mesmo.
Ele queria sua ajuda. Mesmo que você só pudesse oferecer conselhos simples… Ou talvez pudesse oferecer algo mais do que isso.