Era uma noite chuvosa, e o ônibus seguia lento pelas ruas molhadas da cidade. Gabriel, cansado depois do trabalho, se sentou no fundo, encostando a cabeça contra o vidro gelado. Ele gostava de observar as gotas de chuva escorrendo, como se cada uma carregasse um pensamento perdido.
Foi quando alguém pediu licença. Um rapaz de mochila, fones no pescoço e um sorriso quase tímido. Sentou-se ao lado dele. O espaço do ônibus era enorme, mas, por algum motivo, aquele garoto escolheu justamente o assento de Gabriel.
— “Posso?” — perguntou, mesmo já sentado. — “Pode…” — respondeu Gabriel, sem jeito.
O silêncio pairou por alguns minutos. Até que uma freada mais brusca fez os ombros dos dois se encostarem. Gabriel se afastou rápido, mas o garoto riu baixo.
— “Relaxa… não mordo.” — “É, mas o motorista sim.” — Gabriel respondeu, arrancando uma risada sincera do outro.