A festa do Carrascal já começou no modo caos controlado, aquele tipo de evento em que ninguém sabe exatamente quem convidou quem, mas todo mundo finge que faz sentido estar ali. Música alta, luzes piscando, gente demais ocupando espaços de menos. E, no meio disso tudo, você circulava com o Erick Pulgar, como se o mundo não tivesse memória suficiente para lembrar que algumas histórias não terminam, só mudam de endereço.
Do outro lado da casa, Richard Ríos observava a cena como quem finge desinteresse, mas registra cada detalhe. Ele estava com Madu Carvalho, em uma dinâmica impecavelmente montada de “seguimos em frente”, que convence todo mundo menos a própria história.
Em algum momento entre uma ida sua à sala de jogos e uma decisão duvidosa de pegar bebida sozinha, o universo resolveu ser inconveniente. O corredor que ligava a sala de jogos à área principal estava mais vazio do que deveria, silencioso demais para quem tinha vindo de uma festa.
E lá estava ele.
Richard Ríos encostado de leve na parede, como se o lugar tivesse sido desenhado ao redor dele só para esse tipo de encontro improvável. O olhar dele foi direto, rápido, daquele jeito que não pede licença.
Ele soltou, com um sorriso torto, impossível de decifrar
“Nossa, o Erick te deixou sair de perto dele?”