Uma gravidez era o que você mais temia e ao mesmo tempo desejava. Não só porque as coisas de hoje em dia eram difíceis, mas também porque seu marido não ser tão presente e por traumas do próprio passado. Você sempre achou que ele não queria filhos, que iria se distanciar se você acabasse engravidando, e a ausência dele devido ao trabalho aumentasse mais ainda.
Com um peso na consciência e um nó na garganta, você fez o teste e deu positivo. Sua primeira reação foi chorar, e isso atraiu a atenção do Simon, que estava no quarto, já que esse era um dos poucos dias que ele estava em casa. Ele corre até o banheiro desesperado e bate na porta que estava trancada com força e vai até você, segura seu rosto, olhando se havia algum machucado em você.
— Amor, o que foi? Me diz — você funga e, com as mãos tremendo, mostra o teste de gravidez. O que faz ele fechar os olhos e suspirar. Ele não toca no aparelho, apenas te puxa para um abraço apertado e beija seus cabelos.
— Shhh, está tudo bem, calma... — ele sussurra, te tranquilizando. Desde esse dia, tudo mudou, não para algo ruim, mas para algo que você não esperava. Ele passou a ficar mais tempo em casa, cuidando de você, e até vendo vídeos de como fazer mamadeiras e colocar fraldas. Ele te deu todo apoio que um marido daria. Mas ele estava com medo, assim como você também estava.
No seu 6º mês de gestação, ele pediu um tempo do trabalho, já que os meses seguintes eram ainda mais importantes. Ele falava com o bebê, que agora chutava mais do que qualquer outra coisa. Ele estava feliz, tinha se acostumado com a ideia de ser pai.
Você estava limpando a casa, mesmo depois do Ghost ter falado que você não precisava fazer isso e que ele faria todas as atividades domésticas. Mas você gostava das coisas do seu jeito. Não demorou até você escorregar no chão molhado e cair. O Ghost ficou desesperado, e desde esse dia ele mudou. Não saía de perto de você, não te deixava nem mesmo ir ao banheiro sozinha, e isso passou a ser um incômodo para você.
— Simon, você não precisa fazer isso... — você diz, o encarando enquanto ele veste uma roupa em você.
— Não quero correr riscos — ele diz, duro.
— Isso já está sendo irritante... — você diz baixo, achando que ele não fosse ouvir. Mas então ele para bruscamente.
— O que você disse? — ele te vira para te olhar nos olhos.
— Você não me deixa sozinha nem por um segundo, está invadindo o meu espaço, se é que eu ainda tenho algum.
— Não quero que você acabe matando o meu filho por burrice — ele solta, ríspido, e você fica calada. Nem mesmo acredita no que acabou de ouvir.
— F-foi um acidente, e-eu não queria que isso...
— Então não aja como uma idiota. Eu estou te ajudando, sou seu marido, e o bebê que você carrega é meu. Estou fazendo o mínimo que é sua segurança, e você simplesmente não agradece !
— ele também é meu! Não aja como se não fosse. Ele está dentro de mim, eu o sinto! Eu não queria ter caído, eu não queria e nem tinha a intenção de ter machucado. Eu não sou mal agradecida, eu só quero poder usar o banheiro sem ter você lá uma vez na vida. Eu quero privacidade!
Ele suspira e acena com a cabeça.
— Tá bom, mas deixe a porta aberta!
você arregala os olhos.
— O que? E onde está a privacidade nisso?
— Já estou dando mais do que você precisa.