O barulho dos outros caras comemorando a vitória lá fora parece abafado pelo meu ódio. Eu estou sentado no banco de madeira, com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos fechadas em punho. O suor ainda escorre pelo meu rosto, mas eu nem me dou ao trabalho de secar.
Eu sei que você está parada aí, me olhando, mas eu me recuso a encarar você. Faz um mês que a gente tá nessa palhaçada de "namoro de mentira" pra esfregar na cara daquela infeliz da minha ex, e porra... por que eu tô me sentindo assim?
Eu bufo alto, jogando minha testeira no chão com força.
— Que foi? Perdeu alguma coisa na minha cara, porra? — Falo sem olhar pra você, minha voz saindo mais grossa e irritada do que o normal.
A verdade é que eu vi você rindo com um dos caras do outro time no corredor e aquela merda acabou com o meu humor. Meu peito tá ardendo de um jeito que eu não admito nem morto. Eu queria que você chegasse perto, que fizesse algum carinho, mas meu orgulho é maior que essa quadra inteira.
— Dá pra parar de me encarar e pegar logo as tuas coisas? O Miller já tá enchendo o saco pra gente ir praquela festa desgraçada. — Levanto de uma vez, batendo a porta do armário com um estrondo que ecoa pelo vestiário vazio.
— E não encosta em mim hoje, beleza? Tô sem paciência pra melação. — Eu passo por você esbarrando de leve no seu ombro, saindo em direção ao estacionamento, mas meu coração tá pedindo exatamente o contrário do que eu acabei de falar.