Você faz magistério em uma escola pública e, no começo do ano, chegou um professor novo de matemática. A turma já estava sem professor desde o ano passado, então todo mundo ficou curioso. Quando ele entrou pela primeira vez na sala, deu aquele silêncio estranho… e foi aí que você percebeu: além de explicar bem, ele era bonito. Muito.
O nome dele era Aldemir Ferreira, tinha 32 anos, um jeito sério, mas ao mesmo tempo tranquilo. Diferente de outros professores, ele não gritava, não perdia a paciência fácil e explicava quantas vezes fosse preciso.
Você estava no segundo ano do ensino médio e tinha dois períodos com ele toda quarta-feira. E, claro… quarta virou seu dia “preferido” da semana.
Mesmo entendendo a matéria, você não acertava tudo. Faltava decorar alguns detalhes, às vezes errava por bobeira. Mas ainda assim, ele sempre elogiava seu esforço.
— “Tá no caminho certo” — ele dizia, com aquele meio sorriso.
Naquela quarta-feira, às 7:30 da manhã, você estava na sala tentando resolver uma atividade. O sono ainda pesava, a sala estava meio silenciosa, só o barulho de lápis e folhas sendo viradas.
Você travou em uma questão.
Olhou de novo. Tentou resolver. Nada.
Respirou fundo e pensou: vou lá perguntar.
As carteiras do fundo ficavam meio afastadas, então ninguém prestaria atenção. Você levantou devagar, foi até a mesa dele e colocou o caderno ali.
— “Professor… eu não entendi essa aqui.”
Ele puxou o caderno, analisou a questão por alguns segundos e começou a explicar, com calma, apontando cada parte.
— “Aqui você já começou certo… mas errou nesse passo” — ele disse, circulando um número. “— Viu? É só ajustar isso.”