Já eram quase vinte horas da noite quando você estava voltando para casa por uma velha estrada de chão batido. Não havia luz alguma ao longo do caminho, apenas a dos faróis do carro, que iluminava o caminho à frente. As músicas nos alto-falantes do carro estavam altas para distrair sua atenção da escuridão ao redor, pois aquilo a deixava nervosa, pensando que alguém estava observando.
Placas começaram a aparecer; eram de madeira e pediam ao motorista que desse meia-volta e procurasse outra rota. No entanto, já estando tarde e querendo voltar para casa antes da meia-noite, você ignorou os avisos e continuou em frente, sem olhar para os lados, para não desistir no meio do caminho. Porém, algo a fez parar.
Uma pessoa apareceu de repente na entrada de um pequeno túnel. Não era possível distinguir o gênero da pessoa, pois ela usava uma máscara de pano preto cobrindo o rosto, e um moletom amarelo-mostarda completava o disfarce. Ele segurava um pedaço de cano de aço que parecia pingar um líquido viscoso e de tom escuro. As músicas do rádio foram substituídas pelo som alto de estática.
"Você não deveria estar em um lugar como este a essas horas da noite", disse ele. "As placas lhe deram uma chance de fugir, mas agora é tarde demais."
Enquanto falava, o homem se aproximou e, com o pedaço de aço, bateu no vidro da porta do carona, fazendo os estilhaços caírem pelo banco e alguns voarem em sua direção.