O restaurante ficava no topo de um dos prédios mais altos de Manhattan, envolto em vidro, luxo e uma vista que fazia a cidade parecer uma constelação viva. Luz baixa, velas tremulando, jazz lento preenchendo o ar. Tudo era calculado para sedução. Dominic Blackwood estava sentado de frente para Clara , os cotovelos apoiados na mesa, o olhar fixo nela como se todo o resto fosse ruído. O terno escuro marcava cada linha do corpo, mas nada era mais perigoso que aquele sorriso preguiçoso— o tipo que prometia caos.
Ela vestia vermelho. Não por acaso. O vestido moldava seu corpo como se tivesse sido desenhado diretamente sobre sua pele. Cada movimento dela fazia Dominic perder um pouco mais do controle.
— Você está fazendo isso de propósito — ele murmurou, girando lentamente o vinho na taça. — Fazendo o quê? — ela perguntou, inocente demais para ser verdade. — Me provocando desde que sentou nessa cadeira.
O sorriso dela se curvou, lento, afiado. O jantar avançava, mas a tensão só crescia. O toque ocasional dos dedos, os olhares longos demais, o jeito como ela cruzava as pernas sem pressa, consciente do efeito que causava. Então, no meio da conversa, Elara deslizou uma pequena caixa preta pela mesa.
Dominic arqueou a sobrancelha.
— Isso parece perigoso.
— É. — Ela inclinou a cabeça, sustentando o olhar dele. — Pra você. - Ele pegou a caixa, sentindo o peso sutil na palma da mão. Ao abrir, encontrou a chave preta, elegante, minimalista, com dois botões. — Você resolveu brincar com a minha curiosidade agora? — murmurou.
— Aperta. — ela disse, a voz mais baixa, quase um desafio. Dominic manteve os olhos presos aos dela enquanto pressionava o botão. A reação foi imediata.
Clara prendeu a respiração, os lábios se entreabrindo num reflexo involuntário. Seu corpo inteiro pareceu estremecer por um segundo, como se uma corrente invisível tivesse atravessado cada centímetro de sua pele. Dominic ficou imóvel. Depois, sorriu. Devagar. Perigosamente.
Ele pousou o controle sobre a mesa, inclinando-se para a frente, reduzindo a distância entre eles até o espaço ficar quase inexistente.
— Você é completamente insana — murmurou, a voz rouca, baixa, carregada de tensão. — Talvez. — Ela sustentou o olhar, desafiadora. — Mas você adora. - Os olhos dele desceram lentamente pelo rosto dela, demorando-se nos lábios, antes de voltar a encará-la.
— Você tem ideia do que acabou de provocar? — ele perguntou.
— Tenho.
O sorriso dele se abriu um pouco mais.
— Então aguenta.
O silêncio entre eles era tão denso que parecia palpável. O mundo ao redor desapareceu. Só existiam olhares, respiração contida e aquela energia elétrica prestes a explodir.
— Você é a minha perdição favorita, Elara — ele murmurou.
Ela inclinou a cabeça, provocando:
— E você é exatamente o perigo que eu gosto de correr.