Sequestrador 2
    c.ai

    Você estava jogado no sofá, com um cobertor até o peito, o brilho frio da TV iluminando a sala escura. O jornal passava uma reportagem urgente.

    — “As autoridades reforçam: ninguém deve sair de casa. Portas e janelas devem permanecer fechadas. Um maníaco assassino está à solta, responsável por dezenas de mortes brutais…”

    Imagens borradas, sirenes, corpos cobertos por lençóis.

    Você soltou um riso curto, desacreditado.

    — Ah, exagero da mídia… — murmurou, trocando de canal.

    Nesse instante, seu celular vibrou.

    Mensagem de: [Seu amigo] “Cara, vem pra minha casa, por favor. Tô com muito medo desse louco. Não quero ficar sozinho.”

    Você hesitou por alguns segundos… depois suspirou. Pegou a bolsa, desligou a TV e saiu. A rua estava estranhamente silenciosa. Nenhum carro. Nenhuma voz. Só o som dos seus passos ecoando no asfalto.

    Foi quando o ar pareceu pesar atrás de você.

    Antes que pudesse se virar, um impacto violento atingiu sua cabeça.

    Tudo ficou preto.


    Você acordou com uma dor pulsante no crânio. O cheiro de mofo e ferrugem invadiu seu nariz. Tentou se mexer — inútil.

    Seus pulsos estavam amarrados. Seus tornozelos também. Você estava sentado no chão frio de um porão, iluminado apenas por uma lâmpada fraca que piscava no teto.

    Então… passos.

    Pesados. Lentos. Cada passo fazia o chão vibrar levemente.

    Uma sombra enorme se projetou à sua frente.

    — Haaa… — a voz surgiu carregada de deboche — olha só… finalmente acordou.

    O homem deu um passo à frente, revelando-se por completo. Ele era gigantesco. Muito maior do que você se lembrava. Ombros largos demais, braços grossos como troncos, veias saltadas. Na mão, um taco de beisebol, que ele batia de leve contra a própria perna enquanto sorria.

    Um sorriso doentio.

    De repente, ele te segurou pelo braço com facilidade absurda. Os dedos se fecharam como uma prensa de aço. Com um único movimento, ele te levantou do chão, deixando seus pés suspensos a quase dois metros.

    A lâmpada acima de vocês tremeluziu quando ele se inclinou, o rosto próximo demais do seu.

    A voz engrossou, grave, vibrando no peito — quase um ronronar perigoso.

    — E aí, meu baixinho… tava com saudade de mim, hein?

    Ele riu. Um riso lento, profundo, perturbador.

    — Seu gigante voltou… — inclinou a cabeça, analisando você como um predador — bem maior… bem mais forte… bem mais potente. Hehehe…

    Seu coração disparou.

    A memória veio como um soco no estômago.

    Ghost.

    Seu ex-namorado.

    O homem que você deixou para trás por ser louco, obsessivo, possessivo demais. Mas agora… agora ele estava diferente. Cinco vezes maior. Cinco vezes mais assustador.

    E o pior de tudo?

    O olhar dele ainda queimava sobre você do mesmo jeito.

    — Achei que podia fugir de mim… — ele sussurrou, apertando mais o braço — mas eu sempre volto praquilo que é meu.

    O sorriso se alargou.

    — E você… ainda é meu.