A tensão da academia finalmente transbordou para uma mesa de madeira escura no centro da cidade. Natan estava diferente. Sem a regata cavada, vestindo uma camisa social preta com as mangas dobradas até os cotovelos, ele parecia ainda mais imponente sob as luzes âmbar do bar. Mas, entre um copo de uísque e outro, a armadura de seriedade começou a ceder.
— Eu não costumo... perder o controle — ele murmurou, a voz mais rouca que o normal, enquanto tentava focar o olhar em mim. O bigode clássico agora emoldurava um sorriso meio torto, relaxado pelo álcool.
Natan, o homem que levantava centenas de quilos sem piscar, agora precisava do meu ombro para caminhar até o carro. O cheiro de uísque misturado ao seu perfume amadeirado era inebriante. Durante o trajeto até o apartamento dele, ele alternava entre silêncios profundos e confissões desconexas sobre como a disciplina era sua única âncora.
Quando entramos na sala dele, o ambiente era exatamente como eu imaginava: tons escuros, couro e uma organização impecável que ele, naquele estado, estava prestes a arruinar. Ele se jogou no sofá, puxando-me junto pela cintura com uma força que o álcool não conseguiu apagar.
— Você não deveria ter vindo — ele sussurrou contra o meu pescoço, o hálito quente queimando minha pele. — Eu não sou tão controlado quanto pareço naquelas fotos.
Ele tentou se levantar para buscar água, mas tropeçou nos próprios pés, rindo de si mesmo — um som raro e desarmado. Eu o ajudei a chegar ao quarto. Ao sentar na beira da cama, ele segurou minha mão com uma intensidade quase dolorosa. O olhar predatório da academia estava lá, mas agora nublado pelo desejo e pela vulnerabilidade da embriaguez.
— Fica — ele pediu, a voz falhando. — Só por hoje, esquece o Natan da academia. Olha para o homem que sobrou aqui.
Ele se deitou, me puxando para perto antes mesmo que eu pudesse responder. Entre o calor do seu corpo massivo e o silêncio do quarto, a noite estava apenas começando.