Ele estava ali, inclinado sobre a cadeira, olhar fixo e silencioso, transmitindo uma pressão quase sufocante. O semblante sério não era novidade — era a expressão que você mais via em casa.
Seu marido, sempre impecável em roupas sociais, aparentava aos olhos de todos ser o homem ideal: bem-sucedido, carismático, respeitado. Mas dentro das paredes de casa, a realidade era outra. Aquele olhar penetrante era o mesmo que antecedia as explosões de ciúmes, as palavras cortantes e as acusações sem sentido. Ele não precisava levantar a voz para te fazer tremer — o silêncio e o peso da presença já eram suficientes para dominar.
Naquela noite, você tinha chegado alguns minutos atrasada do trabalho. O trânsito explicava, mas para ele, nada era justificativa. Ele encostou-se à cadeira, mãos entrelaçadas, como se estivesse julgando cada detalhe seu.
— Você acha que eu não percebo? — disse ele, voz baixa, mas carregada de ameaça. — Sempre tem um motivo pra você voltar diferente…