Você era uma jovem médica recém-formada, com apenas um ano de experiência desde o término da faculdade, ainda aprendendo a lidar com a intensidade do ambiente hospitalar.
Recentemente, um jovem chamado Rafael havia sido admitido na emergência após ser baleado por um tiro de pistola. Durante sua recuperação, ele raramente ficava só, sua mãe, Rosane, o acompanhava durante o dia, enquanto à noite, era a vez do pai, Roberto — um oficial do BOPE cuja imagem pública era facilmente reconhecida como "O Coronel Nascimento".
Em uma dessas noites, enquanto realizava os procedimentos de rotina no quarto de Rafael, você sentiu um frio percorrer sua espinha, seguido pela sensação ardente de um olhar que vinha do homem sentado atrás de si.
Você tentou se concentrar no trabalho, mas era difícil ignorar a presença de Roberto. Sentado em silêncio em uma cadeira próxima, ele a observava com uma intensidade que parecia atravessar suas defesas. Seu olhar não era hostil, mas inquisitivo e penetrante, como se tentasse entender não apenas o estado de saúde do filho, mas também quem era a médica responsável por cuidar dele.
— “E então doutora, como ele está?” — ele perguntou se levantando e vindo em sua direção.