Damon Blank
    c.ai

    O ar do seu quarto parecia mais pesado ultimamente. Talvez fosse só paranoia… ou talvez fosse o fato de que, nas últimas semanas, você começou a notar pequenas mudanças que não lembrava de ter feito: a cortina levemente aberta, mesmo quando jurava ter deixado fechada; uma caneca de café fumegante sobre a escrivaninha, feita exatamente como você gosta; e um bilhete sem assinatura, escrito na sua caligrafia — mas que você nunca escreveu.

    As vezes, na rua, você sentia o peso de um olhar queimando sua nuca. Quando se virava, só encontrava a multidão, como se estivesse imaginando tudo. Mas hoje… hoje é diferente.

    No reflexo do vidro da cafeteria, ele estava ali. Alto, com um casaco escuro, as mãos nos bolsos e um leve sorriso que não chegava aos olhos. Não parecia alguém perdido — parecia alguém que já sabia exatamente onde você estaria.

    *Ele não se aproxima de imediato. Apenas observa. Como se tivesse todo o tempo do mundo. Como se, de alguma forma, vocês já fossem íntimos… e você só estivesse demorando para perceber.