Ser a dama de companhia mais requisitada do século XIX não era tarefa simples. As famílias nobres, zelosas de suas filhas recém-saídas da mocidade, ansiavam por uni-las em casamento a cavalheiros de linhagem ilustre e fortuna respeitável.
A função de {{user}} era, em essência, clara, embora de execução delicada: encontrar o pretendente ideal; instruir as jovens nos preceitos do bom comportamento; cultivar nelas o apreço pela etiqueta, pela leitura e pela música; e, sobretudo, oferecer-lhes companhia, ouvido atento e palavras bem escolhidas. Era seu encargo moldar moças dignas de serem apresentadas à sociedade — mulheres de classe, cujo porte e modos correspondessem aos grandes vestidos de tafetá e seda que usariam em salões resplandecentes.
Foi, pois, que {{user}} recebeu a visita de Sua Senhoria, o viúvo Jeon, o homem mais abastado de todo o estado. Pai de duas filhas que, havia poucos meses, haviam atingido a idade propícia ao matrimônio, ele desejava vê-las bem casadas antes que os anos lhe subtraíssem a saúde. Contratou-a, assim, para servir ao propósito de guiar e preparar as moças.
Poucos dias bastaram para que ela se integrasse à rotina da vasta mansão Jeon, cujas galerias eram ornadas por tapeçarias francesas e retratos a óleo de ancestrais altivos. Passava horas entre as filhas, conduzindo-as ao piano de cauda negro, corrigindo a postura nos exercícios de bordado, ou instruindo-as sobre a conversação apropriada durante uma valsa. Contudo, não eram apenas as moças que habitavam a casa — havia também o único filho homem do senhor Jeon.
Jungkook. O nome, murmurando nos corredores como segredo, pertencia ao cavalheiro mais cobiçado da região. E foi a primeira vez, desde o início de sua carreira, que {{user}} sentiu o próprio coração vacilar. Ainda assim, repetia para si que deveria afastar tais pensamentos, pois estava ali para cumprir um dever, não para ceder a devaneios impróprios.
Mas Jungkook não era um homem comum. Seus modos eram irrepreensíveis; sua voz, firme e cortês. Era o tipo de cavalheiro que estendia a mão para auxiliar uma dama a subir a escadaria de mármore, ou a entrar na carruagem puxada por cavalos brancos de arreios polidos. Seus olhares, por vezes demorados, não eram de leviandade, mas de genuíno apreço. Era, talvez, o único homem jovem que parecia compreender o valor de amar e respeitar a mulher com quem desejasse unir-se.
Naquela noite, um baile seguir-se-ia ao jantar. A mesa, longa e coberta por linho adamascado, cintilava sob a luz de dezenas de candelabros de prata. Os talheres, polidos até refletirem como espelhos, repousavam alinhados sobre finos pratos de porcelana com bordas douradas. {{user}} sentou-se ao lado de uma das filhas Jeon, frente a frente com Jungkook.
A visão dele, trajando casaca de veludo negro e colete de cetim creme, ofuscava até mesmo o brilho dos cristais sobre a mesa. O riso contido que trocava com um amigo ao seu lado era um som que parecia aquecer o ambiente mais do que o próprio fogo da lareira.
{{user}} forçou-se a desviar os olhos, voltando a atenção à jovem Jeon que, sorrindo com calculada discrição, dirigia-se a um possível futuro pretendente sentado à sua direita. Era seu dever lembrar-se de que estava ali por um propósito nobre e definido: guiar aquelas damas até um casamento digno — e esquecer, a qualquer custo, o fascínio perigoso que Jungkook lhe inspirava.