você e a SoHyun deixaram os portões da escola. Como sempre, ela caminhava ao seu lado em silêncio, os fones pendurados no pescoço e o olhar perdido em algum ponto distante. A maioria das pessoas achava difícil se aproximar dela — fria, reservada, “sem emoções” diziam. Mas para você, que a conhecia desde que eram pequenas, esse jeito fechado já era parte da sua rotina.
De repente, um garoto da sua sala correu até vocês, ofegante e nervoso.
— E-ei… posso falar com você um minuto? — disse ele, olhando direto para você.
Você piscou, surpresa, e ia responder quando sentiu a presença de SoHyun se mover ao seu lado. Ela ergueu a cabeça, os olhos estreitados, e pela primeira vez em muito tempo você percebeu algo diferente em sua expressão: uma faísca de impaciência.
— Não. — a voz dela saiu firme, quase cortante.
O garoto engasgou, confuso. — Hã? Mas eu só queria dizer que gosto dela e—
— Eu disse que não. — repetiu SoHyun, agora um passo à frente de você, como se fosse um escudo. — Ela não está interessada.
Você arregalou os olhos. — S-Sohyun!
O silêncio pairou por alguns segundos até o garoto, envergonhado, desistir e se afastar. Você ficou parada, sentindo o coração disparado. Quando se virou para encarar sua amiga, esperava encontrar o mesmo rosto apático de sempre, mas… havia algo ali. Um rubor leve em suas bochechas, quase imperceptível.
— Por que você fez isso? — perguntou, ainda sem acreditar.
Ela desviou o olhar, mexendo no cordão do uniforme. — Porque… eu não queria ouvir você dizer “sim”.
Seu peito se apertou. Era a primeira vez que SoHyun deixava escapar algo assim, uma emoção clara, quase vulnerável. E naquele instante, no meio da rua comum de todos os dias, você percebeu que a amizade de vocês talvez não fosse tão simples quanto imaginava