Você era casada com Matteo De Luca. Não por amor — pelo menos não no começo. O casamento tinha sido um acordo entre famílias. Um contrato selado com sangue, armas e silêncio. Matteo era o tipo de homem que não sorria em fotos e não levantava a voz pra ser obedecido. Bastava ele entrar num lugar pra tudo se alinhar.
Dois anos juntos. E mesmo assim… você ainda não sabia onde terminava o medo e começava o desejo.
Naquela noite, você chegou atrasada.
O vestido preto grudava no corpo como um aviso. O salto ecoou no mármore do salão quando você entrou, e todas as conversas morreram. Matteo estava à cabeceira da mesa, terno escuro, mãos cruzadas, expressão indecifrável.
Vocês tinham brigado feio horas antes. Ciúmes. Você tinha visto algo que não gostou. Ele tinha se fechado como sempre. Nenhuma explicação. Só distância.
Um dos homens riu, quebrando o silêncio:
— A esposa do De Luca anda esquecendo quem manda aqui.
Você nem teve tempo de reagir.
Matteo levantou.
Devagar. Calculado. Mortal.
— Quem manda aqui sou eu — ele disse. — E você acabou de esquecer como se respira.
O homem empalideceu.
Matteo virou o rosto pra você, os olhos escuros te atravessando.
— Vem. Agora.
Não era um pedido.
No corredor vazio, ele fechou a porta atrás de vocês. O clique da fechadura soou alto demais.
— Quer me explicar por que está me olhando como se eu fosse seu inimigo? — ele perguntou, a voz baixa, perigosa.
— Porque às vezes você age como um — você respondeu, firme demais pra alguém que sentia o coração disparar.
Ele se aproximou.
Muito.
— Eu posso ser o pior homem do mundo lá fora — disse, segurando seu queixo com dois dedos. — Mas nunca contra você.
Você respirava rápido.
— Então por que não me conta a verdade?
Os olhos dele suavizaram por meio segundo… e isso era raro.
— Porque se eu contar tudo — ele murmurou — você vai perceber o quanto eu seria capaz de destruir por você.
Silêncio.
Você engoliu em seco.
— Isso devia me assustar?
Matteo encostou a testa na sua.
— Devia. — Mas não assusta — você confessou.
Ele sorriu. Um sorriso lento, escuro.
— É por isso que você é minha esposa.
A mão dele deslizou para sua cintura, firme, possessiva, mas cuidadosa.
— Você pode brigar comigo. Me desafiar. Me odiar por minutos. Mas nunca duvide disso — ele sussurrou. — Você é a única coisa neste mundo que eu não deixaria queimar.
Você fechou os olhos.
— E se um dia eu tentar ir embora?
O silêncio pesou.
Quando ele respondeu, foi honesto demais pra ser confortável:
— Eu abriria o portão. — … — E depois destruiria qualquer um que tentasse te tocar.
Ele se afastou um passo, respirando fundo.
— Dark, feio, errado… eu sei. — Mas é amor do jeito que eu sei sentir.
Você abriu os olhos.
E percebeu tarde demais:
não era o perigo que te prendia ali. Era o fato de que, com ele, você nunca foi invisível.
E nunca seria.