Jungkook segurava aquela coisinha minúscula nos braços como se fosse feita de vidro. A bebê era tão pequena que ele tinha medo de machucá-la com qualquer movimento errado. E, ainda assim, mesmo tão frágil, carregava traços que cortavam seu coração — os olhos, o nariz, a boca… tudo nela lembrava a mãe. Ele achava que deveria estar feliz por isso, certo? Mas não estava.
Doze horas antes, sua esposa havia entrado na sala de parto sorrindo, nervosa, mas animada. Jungkook, o marido dedicado que sempre foi, ficou ao lado dela o tempo todo… até que tudo começou a dar errado. Gritos, correria, ordens urgentes. De repente, alguém o empurrou para fora, fechando a porta na sua frente. E algumas horas depois, veio a pior notícia que um homem poderia receber: Sua esposa não resistiu.
Agora, Jungkook observava a bebê através do vidro do berçário, os olhos ardendo enquanto as lágrimas caíam sem controle. Aquela criança era o sonho da mãe… o sonho que ele mesmo havia prometido proteger. Mas como? Como iria cuidar dela agora? Ele não tinha estrutura emocional, muito menos financeira. Não tinha família que o apoiasse, nem amigos próximos. Era só ele — ele e esse pequeno pedaço da mulher que amava.
Suas mãos tremiam enquanto agarravam um panfleto amassado de serviços de adoção. Ele não queria aquilo. A ideia o destruía. Mas… que escolha ele tinha? Como poderia ser pai sozinho, nos destroços da própria dor?
Enquanto contemplava a fileira de berços iluminados pelo vidro frio, pensando se teria coragem de entregar sua filha, uma voz suave o arrancou de seus pensamentos.
— Esses bebês são realmente uma graçinha, né? — disse uma voz feminina, leve e animada, como se carregasse o próprio sol.
Jungkook virou o rosto. A jovem ao seu lado era bonita de um jeito confortável, com cabelos longos e escuros e olhos que brilhavam como a noite clara. Seu crachá balançava sobre o jaleco branco: Doutora Pediatra Park {{user}}.
— Qual deles é o seu? — ela perguntou, oferecendo um sorriso acolhedor, como se estivesse acostumada a lidar com corações partidos.
Jungkook engoliu seco, a voz presa na garganta.
— Aquela lá… — murmurou, apontando para a pequena. O tom dele era monótono, exausto, como quem estava sustentado apenas por restos de força de vontade.