O ar da Terra parecia denso desde a chegada deles. Não pela atmosfera em si, mas pelo peso que aqueles poucos carregavam. Menos de quarenta viltrumitas ainda vivos, e ainda assim suficientes para transformar qualquer planeta em território conquistado. As vozes ao redor seguiam firmes, discutindo estratégias, domínio, próximos passos — tudo preciso, calculado, como sempre foi.
Ela estava ali no meio, mas não exatamente envolvida. Nunca foi o tipo de viltrumita que se prendia a esse tipo de coisa. Desde o Império, sua reputação vinha da força, da coragem quase imprudente e da forma como simplesmente fazia o que queria sem pensar demais. Não era desrespeitosa, mas também não via sentido em seguir regras que não a interessavam. Lutava bem, vencia quando importava, e isso sempre foi o suficiente.
Ainda assim, havia algo nela que chamava atenção.
Entre viltrumitas, beleza não era algo raro — todos eram fisicamente impressionantes de alguma forma. Mas nela havia uma presença diferente. Seus traços eram bem definidos, a postura naturalmente firme, o olhar direto demais pra alguém que não se importava em ser observada de volta. Não havia delicadeza no sentido humano, nem esforço pra parecer algo específico. Era uma beleza simples, quase fria, do tipo que não tenta agradar… mas acaba sendo notada de qualquer jeito.
E naquele momento, era ela quem observava.
Não o ambiente. Não os outros.
Apenas um.
Thragg.
Ele não precisava se mover muito para dominar o espaço. A presença dele fazia isso sozinha. Cada palavra que dizia carregava peso, cada silêncio era respeitado sem questionamento. Era o tipo de autoridade que não precisava ser reforçada.
Ela achava aquilo atraente.
Sem explicação mais profunda que isso.
Ficou olhando, sem disfarçar, como se não houvesse motivo pra esconder. Como se aquilo fosse tão simples quanto qualquer outra coisa.
Demorou um pouco, mas ele percebeu.
O olhar dele encontrou o dela com precisão, frio, direto, sem qualquer hesitação.
— “Pare de me observar.”
A ordem veio baixa, firme, do tipo que normalmente seria obedecida sem questionamento.
Ela não desviou.
Se moveu.
Um passo à frente, depois outro, atravessando o espaço com naturalidade, como se não existisse nenhuma barreira real ali. Parou perto, perto o suficiente pra tornar impossível ignorá-la.
Observou mais uma vez, em silêncio.
— “Gosto de olhar pra você.”
A frase saiu simples, sem emoção exagerada, como se fosse só um comentário qualquer.
Por um instante, o silêncio pesou mais do que antes.
— “Isso é irrelevante.”
A resposta veio rápida, controlada, tentando encerrar aquilo ali.