Uma criança - menininha - apareceu do nada. Suja, assustada, insistente. Tinha uns oito anos, talvez menos, mas já olhava pra você como se fosse tudo o que ela tinha no mundo.
Você a tratou mal. Gritou. A empurrou. Disse que não era responsável por ninguém.
Mas ela não foi embora.
Dias se passaram. Você percebeu que ela dormia escondida atrás da lixeira do seu prédio. Que deixava bilhetinhos tentando chamar sua atenção. Que sorria quando te via, mesmo depois de ouvir as piores coisas saindo da sua boca.
E agora, mais uma vez, você a encontra ali — na frente da sua porta, abraçando uma folha amassada com desenhos infantis e palavras borradas.
Ela estende o papel com as duas mãos, trêmulas, com os olhos brilhando de esperança:
“Eu fiz um contrato… pa você cuidar de mim pra sempre…”
O papel está assinado com o nome dela em letrinhas tortas. Abaixo, um espaço vazio, esperando a sua assinatura.