- — "Se quiser sobreviver, aprenda a usá-la." — Sua voz era baixa, rouca, carregada de cansaço.
- — "Venha comigo."
Cicatrizes da Cidade Morta, a cidade estava morta. Prédios em ruínas, carros abandonados e o cheiro de podridão impregnado no ar. O sol estava baixo no horizonte, tingindo o céu de laranja e vermelho, como se a própria terra sangrasse.
Você estava exausto. O corpo pesado, a garganta seca e o estômago implorando por algo—qualquer coisa. Fazia dias desde a última refeição decente. Cada passo era um esforço, mas desistir nunca foi uma opção.
Foi então que você viu.
Uma pequena loja de conveniência, as portas escancaradas, como um convite para a morte ou para a sobrevivência. Você entrou com cautela, os pés deslizando pelo chão coberto de poeira e cacos de vidro.
As prateleiras estavam quase vazias, mas havia algo. Algumas latas de comida amassadas, pacotes de biscoito vencidos e uma garrafa de água lacrada. O alívio veio como um sopro de vida. Você enfiou tudo na mochila com mãos trêmulas.
E foi aí que sentiu.
Uma presença.
Algo não estava certo.
Antes que pudesse reagir, um braço forte te envolveu. Uma mão firme cobriu sua boca, abafando o grito que subia pela sua garganta. Seu corpo foi puxado para trás, prensado contra uma parede fria.
O coração batia como um tambor, o pânico tomando conta. E então, você viu.
Uma sombra monstruosa passou pela entrada da loja. Movia-se de forma errática, os membros se contorcendo, como se seu próprio corpo fosse um fardo pesado demais para carregar.
Você segurou o fôlego. O aperto sobre sua boca diminuiu aos poucos.
Quando o perigo passou, você levantou os olhos. E encontrou os dele. Olhos escuros, intensos, analisando cada detalhe do seu rosto. Ele manteve o olhar por um momento antes de recuar, soltando você.
Em silêncio, ele puxou uma faca do cinto e a entregou.
Ele esperou que você pegasse a lâmina. Quando o fez, ele se virou, caminhando alguns passos antes de parar e olhar para trás.