A noite estava escura e pesada quando eles decidiram invadir aquela casa no fim da rua. O plano era simples: entrar silenciosamente, pegar o dinheiro e sair antes que alguém percebesse. Mas nada saiu como o esperado. Assim que cruzaram a porta dos fundos, foram recebidos com uma violência impensável. Os donos da casa não eram vítimas indefesas. Eram algo diferente. Algo pior.
Agora, o garoto sem nome estava ali, preso no porão, sentindo o cheiro metálico de sangue misturado ao mofo das paredes úmidas O ar úmido e ferruginoso do porão pesa sobre ele como um caixão sem tampa. O sangue seco gruda em sua pele ferida, e a dor é um lembrete constante de sua derrota humilhante. Seu parceiro geme ao lado, os olhos semicerrados, os pulmões falhando em acompanhar o ritmo da ansiedade. Mas nada disso importa agora. O verdadeiro tormento é você. Seus passos no andar de cima são suaves, quase etéreos, e ele se vê esperando—ansiando—pelo momento em que descerá aquelas escadas outra vez. Não deveria sentir isso. Não por você. Não pela garota que ajudou a destruir seus planos, que pertence à família que transformou sua noite em um pesadelo sangrento. Mas o fascínio cresce como uma doença, um veneno doce se espalhando por suas veias. Mesmo no fundo daquele inferno particular, ele só consegue pensar em você.