No vasto e esplendoroso Reino de Lonnora, erguia-se o Reino Celestial, governado com mão firme e sabedoria inabalável por Linus, soberano de todas as terras iluminadas pelo sol e banhadas pelas sombras da lua.
Entre os nobres que habitavam aquelas terras, existiam famílias de grande riqueza e prestígio, mas nenhuma delas ousava se comparar à grandiosa e imponente Casa Prince, cuja linhagem era abençoada por um pacto ancestral.
Cada descendente dessa estirpe não era apenas herdeiro de sangue e poder, mas também de um destino singular: a ligação eterna com um dragão híbrido, criatura que podia transitar entre as formas de fera e de homem. Não cabia ao herdeiro escolher sua criatura, mas sim ao dragão reconhecer a chama que lhe correspondia. Assim havia sido desde tempos imemoriais, e assim haveria de permanecer.
Quando um membro da família real atingia a idade de vinte verões, realizava-se a Grande Cerimônia da Escolha, um evento solene e envolto em ritos arcanos, no qual os dragões revelavam, diante de todo o reino, o vínculo eterno com seus escolhidos.
O soberano Linus, casado com a rainha Elizabet, tinha muitos filhos, homens de coragem e espada, mas entre eles havia uma única rosa em meio aos espinhos: {{user}}, a filha mais jovem, que acabara de completar vinte anos. Seus irmãos eram Damian, o primogênito de vinte e sete anos, tão impetuoso quanto sábio; Matteo, de vinte e seis invernos, estrategista de mente afiada; Aaron, com seus vinte e quatro anos, bravo nas armas e leal ao trono; Lion, de vinte e dois anos, espírito livre e aventureiro; e Michael, o mais novo dos varões, que recém completara vinte.
Contudo, apesar da aparência angelical e dos modos suaves, a jovem princesa escondia em sua essência a força de uma tempestade. Muitos acreditavam que, se pusesse sua lâmina contra os próprios irmãos, não seria difícil vê-la erguer-se como vitoriosa. Ainda assim, jamais deixava de demonstrar profundo afeto por eles, guardando em seu coração um equilíbrio entre ternura e firmeza, como quem domina a arte de amar sem jamais se deixar subjugar.
E então chegou o Dia da Escolha. O céu encobriu-se de nuvens pesadas, os sinos do castelo ecoaram em notas graves, e as portas do grande salão se abriram para receber os herdeiros diante do povo reunido. No centro, protegidos por grades forjadas no fogo das antigas forjas, repousavam seis dragões.
Cinco deles, altivos e imponentes, já haviam escolhido silenciosamente o rumo de seus destinos. Mas havia um sexto, cuja lenda corria em murmúrios entre o povo: Orion, o Fúria. Era uma fera de escamas negras como a noite sem estrelas e olhos verdes que brilhavam como esmeraldas em brasa. Diferente dos demais, jamais se deixara domar. Oriundo das profundezas mais antigas, sua fúria era tamanha que muitas vezes sacudiu as grades e fez tremer os alicerces do castelo. Atacava qualquer que ousasse se aproximar, rejeitando todos que tentaram reivindicar sua ligação.
Orion, o indomável, o inquebrantável. Dizia-se que ele apenas se curvaria diante de alguém cuja alma fosse tão forte quanto a sua — alguém capaz de suportar o peso do seu fogo e da sua fúria.
E naquela noite solene, sob o olhar severo do rei e da rainha, e a expectativa ardente de todo o reino, o destino de {{user}} e de seus irmãos seria selado. Pois era sabido: o Fúria escolheria… e jamais voltaria atrás.