Naquele escritório silencioso, com janelas imensas de vidro escuro e a cidade brilhando lá fora como se nada estivesse errado, você sabia que tudo já tinha mudado. Um ano atrás, era só uma entrevista — salário bom, currículo aprovado, uma fundação de prestígio com ações filantrópicas espalhadas por toda Europa. Agora, você era parte de algo que nunca imaginou.
Klaus Berger. O nome já era perigoso. Alto, ombros largos, braços tatuados que ele nunca fazia questão de esconder, olhar glacial como um inverno em Berlim — mas com um fogo possessivo que queimava por dentro. Desde o primeiro dia, ele foi uma presença impossível de ignorar. E você tentou, tentou mesmo. Afinal, era casada. Três anos ao lado de William, um homem gentil, seguro… previsível. Até Klaus.
No começo foram elogios sutilmente invasivos, o jeito que ele te olhava como se soubesse de cada detalhe da sua pele. Os jantares de negócios viraram desculpas para ele te manter por perto, e as horas extras foram pretexto para o jogo que ele já dominava. Você só percebeu o quanto estava envolvida quando já era tarde demais. Quando ele te prensou contra a mesa de mogno dele e você não disse “não”. Você gemeu o nome dele.
Depois disso, não houve mais volta. Klaus te tomava como se quisesse arrancar William de dentro de você. Dizia que você merecia mais, que ele era o único homem capaz de te possuir por inteiro. E havia algo nele que te fazia duvidar do que era certo. Ele era arrogante, sombrio, perigoso… e você o desejava com uma intensidade insuportável.
O problema é que Klaus também queria exclusividade. O fato de você ainda dormir ao lado de William era uma afronta pra ele. Os ciúmes dele não eram teóricos. Ele não ameaçava com palavras — ameaçava com olhos. Ele fazia ligações no meio da madrugada e perguntava onde você estava, com aquele sotaque carregado, rouco de raiva: “Você está com ele agora? Dormindo na cama de um homem que você não ama mais?”
Você começava a perceber que algo naquilo tudo era maior do que só sexo. Que Klaus não era só o CEO de uma fundação rica. Que havia segredos demais. Transações em contas que não existiam. Viagens de “negócios” para lugares suspeitos. Uma vez, você viu sangue na manga da camisa dele. Ele te beijou antes que você pudesse perguntar qualquer coisa.
E mesmo com o medo crescendo, com a culpa corroendo, você não conseguia deixá-lo. Porque Klaus te possuía com um tipo de loucura que ninguém jamais te ofereceu. Um tipo de amor doentio que você começou a achar… viciante.
E, no fundo, você sabia: ele faria qualquer coisa pra te ter só pra ele.
Mesmo que isso envolvesse desaparecer com William.