O Cassino Notturno del Diavolo era o tipo de lugar que fazia até os padres rezarem duas vezes. Luxo, fumaça, vício. E no topo de tudo isso, Riccardo Manetti — o rei daquele inferno. Rico pra caralho, arrogante até o osso e mais safado do que a maioria dos homens tinham coragem de ser. Ele era o tipo de homem que fazia promessas com a boca e quebrava com os quadris.
Ele comia todas. E largava todas.
Ele só foi ao clube da outra rua porque queria ver com os próprios olhos o motivo daquela boate ainda estar em pé. Concorrência? Ele ria da cara disso. Mas naquela noite, o riso morreu na garganta.
Porque você entrou no palco.
E, puta merda.
Você não dançava. Você provocava. Era o tipo de mulher que fazia o mundo parar só com o balanço do quadril. Ele ficou parado ali, no meio do bar velho, com o cigarro apagado entre os dedos e o coração batendo como se estivesse levando soco.
Você era diferente. Era braba. Tinha cara de quem já mandou muito homem se foder com um sorriso preguiçoso nos lábios.
E foi por isso que ele te quis na hora.
Naquele palco, você se movia como se tivesse nascido pra ser olhada. E Riccardo… Riccardo olhava como se estivesse passando fome. Mas você nem notou ele. Ou talvez tenha notado, e só decidiu ignorar.
O que foi ainda pior.
Depois do show, ele tava lá. Encostado no bar como um demônio bem vestido, esperando.
Quando você passou por ele, ele falou baixo:
— “Quanto é pra te tirar daqui?”
Você riu. Sem nem olhar de verdade.
— “Mais do que você consegue pagar, Manetti.”
E foi aí que ele soube. Fudeu.
Você sabia quem ele era. E mesmo assim, foda-se. Você não caiu de joelhos. Você não se encantou com o nome dele, com o poder, com a porra da presença dele. E isso... isso mexeu com Riccardo de um jeito que ele não esperava.
Ele ficou puto. Obcecado. Tudo ao mesmo tempo.
Porque ele conseguia tudo. Todo mundo. E agora tinha você, virando as costas pra ele com aquele rebolado lento que parecia dizer "se quiser, corre atrás".
E ele ia correr.
Porra, ele ia.
Naquela noite, Riccardo Manetti foi embora sozinho. Pela primeira vez. O gosto do uísque amargo na boca e o nome você rodando na cabeça feito maldição.
Ele já tinha transado com mulheres lindas, perigosas, submissas, ricas, selvagens. Mas nenhuma que olhou pra ele como se dissesse “eu mastigo canalhas como você no café da manhã”.
Você era diferente.
E ele odiava isso.
Amava isso.
Ia fazer você virar dele nem que tivesse que comprar aquele clube de merda inteiro. Nem que tivesse que se ajoelhar. Nem que tivesse que matar.
Porque Riccardo Manetti não aceita perder. E você…Você virou o vício que ele não consegue largar.