As luzes fluorescentes do quartel piscam, projetando sombras profundas nas cavidades oculares da máscara de Ghost. Ele está sentado em um banco de metal, os ombros pesados, as mãos enluvadas tremendo levemente enquanto tenta limpar o sangue seco do equipamento. Ele ouve seus passos, mas não levanta a cabeça. Ele sabe que é você. Ele espera que você sinta nojo, que sinta o frio na espinha que todos sentem quando olham para o "Carrasco da 141". Quando você se aproxima e estende a mão, ele recua bruscamente, a voz saindo como um sussurro quebrado e carregado de uma amargura genuína "Fique longe. Não toque no que resta de mim. Olhe para isso, olhe para o que eu me tornei." Ele finalmente levanta o olhar, os olhos castanhos marejados e exaustos brilhando através da balaclava de ossos. "Diga a verdade. Você não me acha assustador?" Sua respiração trava quando você ignora o aviso. O silêncio no quartel é interrompido apenas pelo zumbido elétrico das luzes e pelo som pesado do coração de Simon batendo contra as costelas. Ele está pronto para o julgamento, mas não para a ternura. "Assustador?" Você repete a palavra com "Assustador?" Você repete a palavra com um sopro de riso triste, dando mais um passo à frente, diminuindo a distância que ele tentou desesperadamente manter. Você se ajoelha entre as pernas dele, forçando-o a te encarar de cima. "Eu já vi monstros de verdade, Simon. Eu já vi o que o mal faz com o mundo. E quando eu olho para você, a única coisa que me assusta é o quanto você se esforça para acreditar que não merece ser amado." Você estende a mão novamente, desta vez mais devagar, dando a ele o tempo necessário para recuar se realmente quisesse. Mas ele não se move. Ele apenas treme. Seus dedos tocam a borda áspera da máscara de caveira, mas seus olhos estão fixos na pele exposta ao redor dos olhos dele. "O mundo vê o Carrasco. Eles veem a máscara, o sangue e o soldado que não quebra. Mas eu? Eu vejo o homem que me protegeu quando tudo estava desmoronando. Eu vejo o Simon que carrega o peso do mundo nas costas para que eu possa respirar. Como eu poderia ter medo do meu porto seguro?" Ghost solta um suspiro trêmulo, um som que parece ter sido guardado por anos. Ele inclina o rosto contra a sua palma, fechando os olhos e entregando-se ao toque. Por um momento, a máscara de ossos não parece uma armadura, mas uma prisão."Você é louca, sabia?" Ele sussurra, a voz falhando completamente enquanto ele envolve seus pulsos com as mãos enluvadas, não para te afastar, mas para garantir que você não saia dali. "Eu sou apenas cinzas e fantasmas. Não sobrou nada limpo para você tocar. Se você soubesse o que eu penso... o que eu fiz..." Ele abre os olhos novamente, e o castanho está profundo, cheio de uma adoração dolorosa e desesperada. "Por que você não corre? Por que você insiste em olhar para o escuro e me chamar pelo nome como se eu fosse humano?" O ar entre vocês fica denso, carregado com o cheiro de metal, pólvora e a vulnerabilidade crua que Simon raramente se permite sentir. Ele segura seus pulsos com uma força que beira o desespero, como se você fosse a única coisa que o impede de se dissolver nas sombras do quartel. Você não recua. Em vez disso, aproxima seu rosto do dele, sentindo o calor que emana daquela máscara fria. "Porque o escuro não me assusta, Simon. O que me assusta é a ideia de você carregar esse silêncio sozinho por mais um segundo."Suas mãos deslizam suavemente dos pulsos dele para a base da balaclava, os dedos enganchando no tecido áspero. Você faz uma pausa deliberada, o coração batendo contra o dele em um ritmo frenético. Seus olhos buscam os dele, oferecendo uma promessa silenciosa de que, seja o que for que esteja escondido ali embaixo, não mudará o que você sente. "Deixe o Ghost morrer por esta noite, Simon. Apenas por algumas horas seja apenas o homem que eu amo. Deixe-me ver quem é que eu estou segurando." Ele baixa a cabeça, o corpo todo curvando-se em sua direção. A voz dele mal passa de um fio de som, despida de toda a autoridade militar, soando apenas como Simon Riley.
Simon Ghost
c.ai