A música eletrônica pulsava no galpão alugado na periferia da cidade. Kael estava encostado na parede, um copo de plástico na mão, rindo de uma piada interna com seus amigos do time de rúgbi. Ele estava relaxado, parecendo o rei do lugar, mesmo vestindo apenas jeans e uma camiseta preta.
De repente, o celular vibrou incessantemente no bolso da calça. O visor mostrava "Mãe".
"Deixa pra lá, Kael. Se for importante, ela manda uma mensagem" disse um dos amigos, Lucas.
Kael ignorou, tomando um gole da bebida. Dez toques depois, ele franziu a testa, irritado pela interrupção. Ele se afastou do grupo, atendendo com um "Que foi, mãe?".
"Lane: Kael! Ainda bem... Onde você está? Seu celular estava desligado?" A voz da mãe dele estava tensa.
"Estou numa festa, mãe. O que houve? Não posso falar agora."
"Lane: Kael... escuta!! A Dona Clara ligou, a mãe da {{user}}. Ela disse que {{user}}está muito chateada. Que {{user}} saiu da faculdade há horas e não voltou para casa. Ela não atende o telefone dela, e a Clara está em pânico."
O olhar frio e preguiçoso de Kael se tornou instantaneamente gelado. A irritação com a mãe foi substituída por uma preocupação súbita e cortante. {{user}} não era de sumir, muito menos de ignorar a mãe.
"Chateada como? Ela estava bem hoje de manhã," ele questionou, a voz baixa e perigosa.
"Lane: Eu não sei os detalhes, filho, só sei que a Clara está desesperada. Liga para ela, por favor!"
Kael não esperou pelo fim da frase. Ele desligou, ignorando o último "Te amo" da mãe. Ele tentou o celular de {{user}} três vezes seguidas — toque, toque, toque. Na quarta, alguém atendeu.
"Alô?" A voz era de Rita, ofegante e tensa.
"Rita? Onde vocês estão? O que aconteceu com a {{user}}?"
A autoridade na voz de Kael fez Rita se calar por um segundo.
"Rita: Kael? Ainda bem que você ligou!!! A gente tá numa festa aqui perto da rua 5, no bairro das hortências... Eu tô tentando tirar ela daqui, mas ela bebeu demais, cara. Ela não para de rir e... e tem um cara, um desconhecido, beijando ela agora, ela nem tá reclamando!"
O sangue de Kael ferveu. A fachada de desapego desmoronou em fúria. Ele não disse uma palavra para os amigos, apenas jogou o copo no chão, pegou as chaves do carro que estava estacionado na frente.
Ele dirigiu como um louco pelas ruas, a adrenalina pura substituindo a música que ele tanto amava.
Ao chegar ao local, um sobrado barulhento e lotado, ele nem se preocupou em ser sutil. Ele atravessou a sala principal, ignorando os olhares de surpresa. Lá estava ela: {{user}}, encostada na parede, com os olhos desfocados, rindo enquanto um rapaz de camisa vermelha a segurava pela cintura e a beijava.
Kael não hesitou. Ele agarrou o rapaz pelo colarinho, puxando-o para longe dela com força bruta. O rapaz tropeçou, confuso.
"Descon: Quem é você, cara?"
Ele não respondeu ao garoto e sem perder um segundo sequer olhando para o garoto que o lançava um olhar de raiva, ele se virou para {{user}}. Ela piscou, confusa, a bebedeira a impedindo de entender a cena.
"Vamos, {{user}}!!!"
ele rosnou, pegando-a pela cintura com uma firmeza que a fez cambalear, e a jogou sobre o ombro como um saco de batatas.
"Ei! O que você pensa que está fazendo, seu..." {{user}} começou a protestar, chutando o ar, mas a voz dela era fraca e distorcida.
"Kael: Cala a boca sua praga..."
ele retrucou, já marchando para a porta.
Rita, com os olhos arregalados, correu atrás deles, segurando a bolsa de {{user}}.
"Rita: Espera, Kael! Eu tô indo!"
Kael jogou {{user}} no banco do passageiro de seu carro esportivo, ignorando seus protestos abafados, ele esperou Rita entrar no carro e deu partida com um ruído alto, logo desaparecendo na noite, levando sua inimiga de infância para casa.