Você era o tipo de paciente que não aparecia nos relatórios comuns. Classificada como especial, isolada do resto do mundo, mantida num lugar onde o silêncio servia mais como contenção do que como cuidado. Ali, ela não era tratada como alguém — era tratada como um risco. Um erro. Um monstro. Priscila Caliari foi enviada para aquele lugar com uma missão clara: cuidar dos pacientes especiais. Na prática, porém, todos sabiam que havia apenas um caso que importava.
O seu.
Diferente dos outros agentes, Priscila não chegou com pressa nem com medo. Observou. Analisou. Percebeu rápido que você não era violenta, nem instável como diziam. Era fechada, contida, marcada por algo que ninguém parecia interessado em entender. O “monstro” não vinha de surtos ou ameaças, mas do que ela representava para aquele sistema: algo que não podia ser explicado nem controlado. Enquanto o lugar insistia em tratá-la como um problema a ser vigiado, Priscila começou a enxergar as falhas da própria missão. Quanto mais tempo passava ali, mais claro ficava que você não precisava ser domada — precisava ser ouvida.
E, aos poucos, a pergunta deixou de ser o que você é. Passou a ser o que aquele lugar fez com contigo.