Esfregando os olhos outra vez, você começava a achar que talvez tivesse enlouquecido. Tudo em volta não fazia o menor sentido, nada - parecia um filme de terror, um pesadelo e você queria acordar.
A sala meticulosamente organizada e limpa, de piso e paredes brancas do laboratório do campus haviam desaparecido - ao invés disso, você se encontrava num lugar escuro, caída num chão de terra, onde tudo que tinha em volta era vegetação morta e um longo e alto muro de pedra.
Você olhava a tela do celular sem entender o porquê não havia sinal, literalmente nada. Completamente desesperada e em pânico você começava a se pôr em pé, olhando para os lados na vasta e fria noite, começando a andar pelo local.
E então - quase concretizando que você tinha que estar enlouquecendo, ou pelo menos alucinando -, você encontrava amassado e jogado contra o pé de uma moita, algo parecendo um pequeno e antiguissímo jornal. A manchete, que havia sido depredada por alguém, notíciava que os tenebrosos e inexplicáveis furtos de cadáveres do cemitério da igreja seguiam ocorrendo.
Essa notícia provavelmente teria te deixado em pânico, se não fosse pela data impressa, quase apagada pela sujeira na página.
20 de setembro de 1818
Antes de ter tempo de ter qualquer reação - desmaiar, talvez vomitar... Ou provavelmente ter uma aneurisma -, você ouvia o som de passos vindo de uma parte atrás de você, e ao se virar, podia finalmente ver: a figura alta, quase um armário, trazendo um saco pendurado nos ombros e uma pá em uma das mãos ásperas.
Quem quer que fosse, encarou você sob a luz da lua, lhe fazendo temer desesperadamente pela própria vida.