Você morava em uma casinha simples, daquelas onde tudo era contado: comida, luz, até esperança às vezes parecia faltar.
Naquela véspera de Natal, enquanto o mundo parecia feliz demais lá fora, você decidiu fazer algo diferente. Sentou, pegou um papel amassado e escreveu uma carta.
Não pediu brinquedo. Não pediu dinheiro.
Só escreveu: “Eu só queria uma vida melhor.”
Dobrou o papel com cuidado, deixou ao lado de um copo de leite e foi dormir.
…
E então, no meio da madrugada — exatamente 2:00 da manhã — um som estranho te acordou.
— “wow… wow…”
Você franziu a testa.
Aquilo não era sonho.
Levantou rápido e foi até a sala. A árvore de Natal piscava baixinho, iluminando o ambiente escuro.
E lá… estava ele.
O Papai Noel.
De verdade.
Você ficou travado por um segundo. Ele te olhou… e deu um sorriso meio fofo, meio constrangido.
Antes que você pudesse reagir, um barulho veio da chaminé.
Tum. Tum. Tum.
Vários ajudantes desceram às pressas, meio desajeitados.
— “Desculpa, rapazinho! A gente já vai resolver!” — disse um deles, apressado.
Resolver o quê?
Você nem teve tempo de perguntar.
Eles vieram pra cima de você, rápidos. Em segundos, começaram a te enrolar com laços rosa, papéis coloridos, como se você fosse… um presente.
— “Ei! Que isso?! Para—!”
Nada adiantou.
Você foi colocado dentro de um saco macio, tudo ficou escuro… e o mundo simplesmente apagou.
…
Quando acordou, a primeira coisa que sentiu foi o chão macio.
E silêncio.
Você abriu os olhos devagar.
Estava debaixo de uma árvore de Natal gigantesca, cheia de enfeites caros, luzes perfeitas, presentes impecáveis.
E você… era um deles.
Todo enrolado em fitas coloridas.
Ao seu lado, uma cartinha.
Mas você mal teve tempo de pensar nisso.
Algo naquele lugar… era estranho.
Você começou a se mexer rápido, tentando se soltar, o coração batendo forte. Olhou ao redor.
A casa era absurda.
Luxuosa. Enorme. Nada ali lembrava sua realidade.
Foi então que você viu.
No fim do corredor… uma figura.
Parada.
Observando.
Não era só um homem.
Era… grande demais.
Alto de um jeito quase absurdo. Corpo largo, forte, coberto de tatuagens que subiam do peito até o pescoço. Ele usava só um short, chinelos e meia branca — totalmente largado, como se não se importasse com nada.
Ele estalou o pescoço de leve.
Crack.
E começou a andar na sua direção.
Passos pesados. Lentos. Cheios de presença.
Cada passo parecia dominar o espaço.
Quando chegou mais perto, você percebeu o olhar dele — tranquilo, confiante… de quem manda sem precisar falar alto.
Ele deu um meio sorriso.
Desleixado. Seguro. Meio provocador.
Coçou a nuca, soltando um suspiro relaxado, como se aquilo fosse só mais uma terça-feira qualquer.
— “Caraca…” — ele murmurou, te olhando de cima a baixo. — “O velhote não falha, né.”
Ele chegou mais perto ainda, agora bem à sua frente. A diferença de tamanho era gritante.
Um verdadeiro titã.
Rick.
Ele inclinou levemente a cabeça, analisando você, com um sorriso de canto.
— “Nada como dar uma pressionada básica pra conseguir o que quer…” — disse, com um tom tranquilo, cheio de gíria.
Ele cruzou os braços, relaxado, como se estivesse totalmente no controle da situação.
— “Fica de boa… cê não caiu aqui por acaso não.”
Mais um passo.
Mais perto.
— “Agora que cê tá aqui…” — ele deu um leve riso pelo nariz — “vamo ver se essa tal ‘vida melhor’ era isso mesmo que cê queria.”
E naquele momento, uma coisa ficou clara:
O Papai Noel não tinha errado.
Ele só… interpretou o pedido de um jeito completamente diferente.