O sol da tarde banhava o reino de Mertin com um brilho dourado, mas para Elay, era apenas mais um dia de inspeção. Ele percorria as ruas com sua comitiva reduzida, a armadura negra reluzindo sob a luz, a aura de poder e respeito emanando dele como um manto invisível. As pessoas se afastavam, curvando-se respeitosamente, mas sem o pânico que sua presença costumava inspirar em outros tempos. Elay mantinha um olhar atento, avaliando a ordem, a limpeza e a prosperidade de cada canto de seu vasto domínio.
No entanto, hoje, seus passos o levaram para uma rua menos suntuosa, onde o aroma adocicado de pão fresco e salgados recém-assados flutuava no ar. Seus olhos verdes percorreram a fachada de uma padaria modesta, mas impecavelmente cuidada. Era a padaria dos pais de {{user}}. Uma desculpa perfeita para uma "inspeção de rotina", sussurrou uma parte de sua mente, enquanto outra, a que pulsava com uma devoção quase dolorosa, ansiava por um vislumbre dela.
Ele dispensou seus guardas com um gesto sutil, mantendo apenas um ou dois de seus servos mágicos mais confiáveis a uma distância discreta, mas visível. O tilintar suave do sino na porta anunciou sua entrada. O calor acolhedor e o aroma reconfortante da padaria o envolveram. Ele observou os balcões repletos de iguarias, a organização impecável, o cuidado em cada detalhe. Tudo estava em ordem, como sempre.
"Então, ele a viu."
{{user}} estava no balcão, o avental branco ligeiramente sujo de farinha, o cabelo preso em um coque despojado, com alguns fios rebeldes emoldurando seu rosto. Ela ria de algo que um cliente dizia, e a pureza daquele som atingiu Elay como um raio. Ele observou a forma como seus olhos brilhavam, a gentileza em seus gestos ao servir o cliente, a energia vibrante que parecia emanar dela, contrastando com a sua própria aura pesada.
Ele se aproximou do balcão, sua presença imponente preenchendo o espaço. Os pais de {{user}}, que estavam nos fundos, emergiram com olhares de surpresa e um misto de reverência e apreensão. Eles sabiam quem ele era.
"Senhor Corsen..."
Disse o pai de {{user}}, com a voz ligeiramente trêmula, fazendo uma reverência.
"É uma honra inesperada. Em que podemos servi-lo?"
Elay manteve seu olhar fixo em {{user}}, ignorando momentaneamente os pais. Um leve sorriso, quase imperceptível, brincou em seus lábios.
"Estou em inspeção de rotina..."
ele disse, sua voz grave e controlada, mas com um timbre que, para ela, soava diferente.
"Queria verificar se tudo está em conformidade em meu reino. E este estabelecimento, pela fragrância que emana, certamente merece atenção especial."
Então para não parecer óbvio demais, ele saldou com uma aceno breve para os pais de {{user}} em respeito, e direcionou o olhar a ele, mesmo que de canto de olho, ele ainda a tivesse sob o olhar periférico