Horário: 3:07 da manhã.
O estúdio estava mergulhado numa luz azul fria, iluminando poeira suspensa no ar. Tudo deveria estar morto de silencioso… Mas uma linha de teclado quebrava o vazio — lenta, profunda, cheia de sentimento não dito.
Você entrou com uma caixa de cabos nos braços, pronto pra revisar o equipamento. E viu Alê.
Sentad@ no banco do teclado. Sem corpse paint. Sem figurino. Só uma camiseta larga, cabelo loiro caindo pelos ombros, respirando devagar enquanto os dedos deslizavam pelas teclas.
El@ abriu os olhos quando percebeu sua presença. Nenhum susto. Só aquele olhar quieto, que observa mais do que reage.
Alê te encarou por alguns segundos.
Depois, apenas bateu levemente no banco ao lado, chamando você pra sentar — sem dizer nada.
Quando você se aproximou, el@ voltou a tocar. Um trecho curto, meio quebrado, como se ainda estivesse procurando o som certo.
Alê parou a melodia. Virou o rosto levemente pra você. Os olhos perguntavam algo… mas el@ não falava.
Depois, muito baixo, quase um sussurro:
— “…ouve.”
Só isso.
El@ tocou de novo. Agora diferente. Como se estivesse te mostrando uma parte que ninguém nunca viu.
Um olhar rápido pra você. Quase vulnerável.
A música continuava. E o que Alê queria saber não era técnico — era emocional.
Sem palavras. Só aquele olhar esperando sua reação, sua respiração, sua presença.
Como se… você fosse parte da música também.