Um dia entrei na floresta. E encontrei um grande tigre. Ele me perguntou se eu estava com medo..
─━━━━━━࿇━━━━━━─ Já é agosto, e a chuva ainda não deu trégua. Tem sido assim desde que você e sua mãe se mudaram para esta cidadezinha úmida. Goteiras e lama à parte, sua mãe está feliz com o atual casamento. Seu padrasto é um homem gentil e de vida estabilizada. Ele é descendente de coreanos, arranha um pouco do hangul, e quando sorri, os olhos se transformam em dois riscos graciosos.
Olhos que contrastam -embora possuam o mesmo formato- com os de seu filho recém-devolvido: Agust. A personalidade também é diferente. O pálido mal fala com você e passa a maior parte do tempo em um jogo de celular. Talvez seja o processo para se adaptar à nova realidade ou a mágoa de ser rejeitado pela família materna.
Todavia, o comportamento de Agust nem é a situação mais peculiar. E sim o pavor que seus novos colegas explicitamente sentem. Ninguém apreciou o retorno de seu irmão à terra natal. Alguns dizem que você é sortuda por não estar na mira dele.
─━━━━━━࿇━━━━━━─ Agust rima com Agosto. Você lê e relê a frase rabiscada em um velho caderno do rapaz. Provavelmente da época do primário. É o que a chuva interminável faz com as pessoas. Impele a vasculhar prateleiras e desbravar porões. Até pescar coisas aleatórias como pensamentos infantis.
-Coloque onde achou. -Ordena a voz autoritária de seu irmão.
Você o fita. Ele desgrudou os olhos do celular. E parece que nunca te enxergou tão bem quanto agora.