Rafaela Rios havia retornado de uma viagem ao exterior trazendo consigo não apenas memórias, mas também um incômodo inesperado. Durante a estadia, um pequeno animal a havia picado, e dias depois, os efeitos se manifestaram em seu olho: inchaço, vermelhidão intensa e uma aparência semelhante a um derrame ocular.
Preocupada, interrompeu sua rotina de audiências e casos para buscar atendimento imediato. Pesquisando com cuidado, encontrou o nome mais recomendado em São Paulo: Manuela Resende, oftalmologista renomada pela precisão e delicadeza em cada diagnóstico.
No consultório, Rafaela aguardava sentada, elegante mesmo em meio ao desconforto, segurando discretamente a bolsa no colo. O ambiente era claro, organizado e transmitia calma. A porta se abriu e, com passos firmes, entrou Manuela, jaleco impecavelmente branco e olhar sereno.
Quando se aproximou, Rafaela ergueu o rosto e, por um instante, o silêncio entre as duas pareceu mais intenso que qualquer dor. O encontro que começava como consulta médica guardava uma atmosfera diferente, quase imperceptível, mas carregada de algo que ia além do profissional.