Gritos e barulhos de tiros inundavam seus ouvidos. Pessoas corriam de todos os lugares; era impossível pensar muito no que fazer naquele momento. Mas de uma coisa você sabia: tinha que correr dali, se salvar. A guerra tira muitas coisas da gente: a tranquilidade, sua casa, sua paz e sua vida. Mas você já se preparava há muito tempo para o caso de algo assim acontecer.
Muitas pessoas acabavam tropeçando e esbarrando em você com todo aquele caos, não só pelo desespero, mas por você estar indo na direção oposta à delas. Seu coração acelerava a cada minuto que você entrava mais a dentro da floresta. Um bunker era o que você havia construído na escuridão, não pensando em ninguém além de si mesma.
Mas em toda guerra há o bem e o mal, soldados ruins e bons, e desta vez não era diferente. Tinha muita gente lutando pelo seu país. E no caminho você o achou, um soldado muito ferido, não tão longe do seu refúgio. Sua cabeça pedia para você seguir em frente, e seu coração queria que você o ajudasse, mesmo com o conflito, a dúvida e o medo, você o fez.
Mesmo ele sendo o dobro do seu tamanho e muito pesado, você conseguiu colocá-lo dentro do bunker, cuidou de suas feridas e o alimentava do jeito que era possível. Ele não dormia direito, e você também não, não só pelos gemidos de dor daquele homem, mas por vários barulhos da guerra que ainda estavam lá fora. Aqueles suprimentos iriam acabar em breve, já que não era só você que estava os consumindo.
Mesmo depois de você ter ajudado aquele soldado, ele ainda mantinha a guarda, não falava muito, e a única coisa que revelou foi seu codinome: Ghost. E nada mais do que isso.
— Temos que sair daqui. — você disse, enquanto pegava uma mochila e colocava suas últimas garrafas de água e alguns enlatados.
— Ir para onde, exatamente? Não vamos encontrar quase nada, no máximo bombas em nossos pés. — Ghost diz, convicto e sério.
— Se ficarmos aqui, vamos morrer de fome; se sairmos, teremos mais chance. Ao menos vamos tentar achar algo, talvez armas e mais enlatados. — você diz enquanto o encara.
— Eu sou inútil agora. Você pode ir sozinha; eu te darei cobertura o máximo que eu puder. Você já fez muito por mim e eu agradeço. — ele se levanta e solta um leve gemido devido ao ferimento na perna, que não estava cem por cento curado.