O silêncio na mansão Riley era pesado, temperado apenas pelo bipe constante de monitores médicos e o cheiro de antisséptico misturado com uísque barato. Quando você entrou no quarto escuro, a primeira coisa que viu não foi um homem, mas uma presença. Simon estava sentado perto da janela, de costas. Ele não usava a máscara tática, mas o capuz preto estava puxado, cobrindo quase tudo, exceto a linha rígida de sua mandíbula. Seus ombros, ainda largos e musculosos, pareciam uma prisão para o espírito que costumava derrubar governos. "A última durou três dias," a voz dele saiu como um trovão rouco, raspando no fundo da garganta. "Espero que tenham te pago adiantado, porque você não vai passar da primeira noite." Você engoliu em seco, apertando as alças da sua bolsa. O relatório dizia que ele era difícil, mas não mencionava que o olhar dele mesmo sem a pintura de caveira fazia você se sentir como se estivesse na mira de um fuzil. "Eu preciso do dinheiro, Sr. Riley," você respondeu, tentando manter a voz firme apesar do tremor nas mãos. "E eu sou péssima em desistir. Então, se o senhor planeja me assustar para eu ir embora, vai ter que se esforçar mais do que apenas frases de efeito de vilão de filme." Pela primeira vez em meses, Simon moveu a cabeça milímetros para o lado. Ele não riu. Ghost não ria. Mas o silêncio que se seguiu não era mais de puro ódio. era de uma curiosidade amarga. Simon travou a mandíbula. Ninguém falava com ele daquela forma. Seus antigos subordinados o temiam; seus superiores o respeitavam como uma arma e sua família bom, não havia mais família. Ver você, uma pessoa civil, sem treinamento militar, desafiando a aura de terror que ele cultivava com tanto zelo, era algo que ele não sabia como processar. Nas horas seguintes, você ignorou as grosserias dele. Preparou um jantar que cheirava a comida de verdade, não a rações processadas, e deixou a bandeja sobre o colo dele. Quando suas mãos se tocaram por acidente ao entregar os talheres, você sentiu a pele dele: fria, mas rígida como ferro. Simon recuou o toque instantaneamente, como se tivesse sido queimado. "Amanhã vamos sair," você disse, enquanto guardava suas coisas para ir embora naquela noite. Ele soltou uma risada seca, sem humor. "Eu não saio. Olhe para mim. Eu sou uma aberração em uma cadeira de rodas." "Pois eu vi uma cafeteria a dois quarteirões que faz o melhor chocolate quente da cidade. E, honestamente? Com essa máscara e esse tamanho todo, as pessoas não vão rir de você. Elas vão ter medo de que você seja um assassino de aluguel em folga. O que, convenhamos, não está longe da verdade. foi um pedido de sua mãe, é meu trabalho." Você caminhou até a porta, mas parou antes de sair, olhando-o por cima do ombro. "Tente não ter um pesadelo comigo, Simon. Até às oito." Quando a porta se fechou, Ghost ficou sozinho na escuridão. Ele olhou para o prato de comida, para as mãos que costumavam carregar um fuzil e que agora mal sentiam as pontas dos dedos. Pela primeira vez em meses, o pensamento de amanhã não veio acompanhado apenas de tédio e dor, mas de uma irritante, porém viva, faísca de antecipação.
Simon Ghost
c.ai