A noite caía devagar em Governador Valadares, tingindo o céu de um azul escuro pontuado por luzes quentes dos balões de festa junina. A música ecoava pelo sítio decorado com bandeirinhas coloridas, enquanto as pessoas dançavam e riam em volta da fogueira.
Virginia, com uma saia rodada vermelha e botas brilhantes, girava devagar no meio do terreiro, os olhos atentos a cada movimento da amiga que vinha se aproximando com um copo de quentão nas mãos. Duda usava uma camisa xadrez aberta sobre um top branco, o cabelo preso em duas tranças longas e um brilho despreocupado no olhar.
O mundo parecia um pouco mais lento quando elas se encaravam. Um toque de mão ao pegar um doce, um olhar que durava mais que o necessário, um riso que escapava quando os ombros se encostavam. Sem perceberem, estavam cada vez mais próximas, como se os passos da quadrilha as puxassem uma para a outra.
Durante uma dança improvisada ao redor da fogueira, Virginia rodou Duda com leveza, os dedos firmes nos dela, e ali, entre o calor da lenha e os gritos felizes ao fundo, os olhos das duas se fecharam num segundo de silêncio compartilhado.
Quando os fogos estouraram no céu, iluminando o rosto de Duda em tons dourados, Virginia não conseguiu desviar o olhar.
Elas não precisaram dizer nada.