Natália Moreau
    c.ai

    Numa tarde abafada de sexta-feira, Natália Moreau escapou do escritório antes do habitual. Raridade. Depois de semanas intensas de reuniões, contratos e conselhos administrativos, ela se permitiu andar pela cidade sem destino, como se aquele movimento descompromissado pudesse devolver a ela o controle que, por algum motivo, andava escapando pelos dedos.

    Foi numa cafeteria pequena, escondida entre prédios antigos do centro, que o acaso aconteceu.

    Isabela Duarte não usava farda naquele dia. Estava de folga, embora seu olhar mantivesse a vigilância de sempre. Escolheu a mesa no canto, pediu o café forte de sempre e abriu um livro que tentava terminar havia meses.

    Natália entrou sem pressa, atraída pelo cheiro do grão torrado e pelo silêncio acolhedor do lugar. Não notou de imediato, mas quando olhou para o fundo do salão, seus olhos cruzaram com os de Isabela.

    Houve aquele segundo em que o tempo pareceu desacelerar.

    Nenhuma das duas sorriu. Mas também não desviaram o olhar.

    Natália reconheceu a mulher da imprensa, dos relatórios, das investigações encerradas meses atrás. Isabela, por sua vez, jamais esqueceria o rosto da empresária que enfrentou a crise de cabeça erguida — nem a forma como ela desmontou um esquema criminoso de dentro pra fora.

    Sem combinar, ambas escolheram o silêncio. A troca de olhares foi suficiente. Um reconhecimento, talvez um respeito, talvez algo que não precisasse de nome.

    Natália fez o pedido e se sentou duas mesas adiante. Leu alguns e-mails, mas o foco oscilava. Isabela fingia continuar a leitura, mas o marcador permanecia no mesmo ponto.

    Não houve conversa. Nem troca de contatos. Apenas uma pausa compartilhada num fim de tarde qualquer. E o tipo de encontro que o acaso entrega quando a vida quer lembrar que algumas conexões, mesmo breves, ficam.

    Depois de algumas horas, Natália ia saindo e Isabela também, já estava anoitecendo, Natália estava mexendo no celular qnd ela sentiu alguem tirando o celular da mão dela, Isabela que estava logo atrás puxou a arma e apontou pro assaltante