A casa está silenciosa demais para o gosto de Dean.
O Impala está parado do outro lado da rua, o motor desligado há minutos, enquanto ele observa a fachada iluminada por uma luz amarela fraca. O maxilar está travado. Os dedos batem uma vez no volante, impacientes. Ele não costuma fazer isso — aparecer sem avisar — e isso só o deixa mais irritado consigo mesmo.
Mas a imagem ainda tá fresca demais na cabeça.
Ele desce do carro, fecha a porta com mais força do que o necessário e atravessa a rua a passos firmes. A jaqueta está aberta, o corpo tenso, como se estivesse indo pra uma caçada — não um encontro.
A campainha ecoa pela casa.
Quando a porta se abre, o olhar de Dean percorre o ambiente rápido demais para ser casual. Ele entra sem pedir permissão, o cheiro conhecido do lugar misturado com algo que não deveria estar ali. O ar parece mais pesado.
“Então é isso agora?” — a voz sai baixa, controlada… perigosa. “Você anda recebendo visitas enquanto eu tô fora?”
Ele fecha a porta atrás de si, devagar, como quem não tem pressa nenhuma. Os olhos verdes voltam pra ela, mais intensos do que o normal, avaliando cada detalhe, cada reação.
Dean passa a mão pelo cabelo, respira fundo, tentando não explodir.
“Eu não ligo pro que a gente é. Nunca liguei.” — ele dá um passo à frente. “Mas eu vi você com aquele cara. E não… não me pareceu exatamente coisa de amigo.”
O silêncio se estica entre eles.
Dean cruza os braços, o corpo inclinado levemente pra frente, postura claramente protetora — e possessiva, mesmo que ele jamais admita isso em voz alta.
“Se você vai brincar com fogo…” ele pausa, o olhar escurecendo. “pelo menos seja honesta comigo.”
Do lado de fora, um carro passa devagar pela rua. Dentro da casa, a tensão é quase palpável.