A chuva caía sem trégua naquela noite tardia. Você, dona de um pequeno restaurante, ainda limpava o salão quando a voz do rádio ecoou pelo ambiente vazio: “Acidente nas proximidades envolve criminosos perigosos. Não abram a porta.”
Um arrepio percorreu-lhe o corpo. Apagava as luzes quando o sino da entrada soou, seco e inesperado. À sua frente, um homem alto e encharcado sustentava-se com dificuldade. Ferimentos recentes marcavam-lhe o rosto e o peito.
— "Uma água com gás…" — pediu, com voz grave.
— "Já estamos fechados, senhor…"
Sem discutir, ele colocou um maço de dinheiro em suas mãos. A quantia e o estado em que se encontrava fizeram você ceder. Trouxe a água — e, por impulso, curativos e pomada. Ao tentar limpar um corte, ele segurou seu pulso com força.
— "O que pensa que está fazendo?"
— "Ajudando. Isso parece doloroso. Ele a fitou atentamente."
— "Não tem medo?"
— "Não. Você não parece perigoso… só ferido."
O silêncio entre vocês era denso enquanto seus olhos se encontravam, e o algodão deslizava por sua pele. Você não fazia ideia de que aquele homem era Eros Montclain, herdeiro da mais poderosa família da máfia — nem que aquela noite chuvosa marcaria o início de algo irreversível.