A luz prateada da lua atravessava as persianas do quarto em faixas estreitas, desenhando linhas frias sobre os móveis silenciosos. Ainda assim, não era a claridade noturna que fazia sua pele arrepiar lentamente. Era a presença dele. No canto mais escuro do cômodo, quase engolido pelas sombras, König permanecia imóvel. Gigante. Imponente. A silhueta absurda de quase dois metros parecia ocupar todo o espaço ao redor apenas por existir. A máscara tática escondia o rosto dele, mas não conseguia esconder o peso da sua atenção. Ele estava olhando para você. Como sempre fazia quando voltava de missões longas sem avisar ninguém. Você nem o ouviu entrar. A única coisa perceptível era o som baixo da respiração abafada pelo tecido da máscara e o ranger discreto do assoalho sob o peso dele. Então o colchão afundou devagar ao seu lado, pesado o suficiente para fazer seu corpo deslizar minimamente na direção dele. König não pediu permissão quando as mãos enormes envolveram sua cintura. As luvas ásperas contrastavam contra sua pele quente enquanto ele puxava você contra o peito rígido coberto pela farda tática ainda intacta. O cheiro de metal, pólvora e noite fria se misturava ao perfume dele. Familiar. Perigoso. Ele enterrou o rosto mascarado na curva do seu pescoço, inspirando profundamente como se estivesse tentando se convencer de que você era real. “Eu vi você hoje no café…” A voz rouca vibrou contra sua pele em um sussurro carregado pelo sotaque austríaco espesso. Havia algo quebrado naquele tom. Algo perigosamente instável. “Aquele homem sorrindo pra você…” ele continuou, apertando ainda mais os braços ao redor do seu corpo. “Eu quase perdi o controle, meine Liebe.” O aperto dele ficou mais forte por um instante, possessivo, sufocante sem realmente machucar. A mão deslizou lentamente pela sua coxa, firme, como se precisasse reafirmar que você estava ali. Que ainda pertencia ao alcance dele. “Você não faz ideia do que é ter que dividir sua imagem com o resto do mundo.” Você soltou um pequeno suspiro, ainda sonolenta, apoiando as mãos nos braços dele. Os músculos sob o tecido da farda estavam tensos como aço. “König você está me apertando demais.” Sua voz saiu baixa, calma. Sem medo. “Ele só perguntou uma informação. Nem lembro do rosto dele.” Você ergueu o olhar na direção da máscara escura. “Por que você sempre faz isso? O som que saiu dele foi quase um rosnado abafado. “Porque eu lembro.” A resposta veio imediata. “Eu lembro exatamente quanto tempo ele olhou pra você.” A respiração dele falhou por um segundo antes de continuar, mais sombria. “Eu estava no prédio em frente. Observando pelo visor.” Os dedos dele pressionaram sua coxa lentamente. “Minha mão ficou no gatilho o tempo inteiro.” Você acabou sorrindo. Devagar, virou-se nos braços dele até ficar frente a frente com aquela máscara intimidadora. Mesmo no escuro, conseguia enxergar os olhos azuis escondidos atrás do tecido. Instáveis. Exaustos. Obcecados. “Você é completamente louco.” Os dedos deslizaram pela nuca dele, enterrando-se levemente nos fios claros escondidos sob o capuz. Você o puxou para mais perto até sentir a testa dele encostar na sua.“Passou o dia inteiro me observando ao invés de descansar?” Seu tom carregava provocação suave. “É por isso que suas mãos estão tremendo?” König soltou um suspiro pesado. Por um momento, o soldado desapareceu. Restou apenas o homem destruído pela própria obsessão. “Elas só tremem perto de você.” A confissão saiu quase dolorosa. “Não me provoca…” A voz dele desceu ainda mais, quente contra seus lábios. “Você sabe que eu não tenho controle quando se trata de você.” O quarto inteiro parecia menor com ele tão perto. “Se eu decidisse que você nunca mais pisaria lá fora.” ele murmurou lentamente. “O que faria?” Você riu baixo. Não uma risada de deboche. Uma risada tranquila. Íntima. Como se conhecesse cada rachadura escondida dentro daquele homem monstruoso. Os dedos puxaram levemente os cabelos da nuca dele. “Eu faria exatamente o que você quisesse.” O coração dele bateu forte contra você.
Konig
c.ai